segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Qualidade de Aluvaiá

01.Nileodun; 02.Dundurê; 03.Meximaville; 04.Jamukangue; 05.Pambu-njila; 06.Uembesila; 07.Lajakala; 08.Uesaba; 09.Tambala; 10.Zunga Ao To; 11.Mukusete; 12.Tunde-Tunde; 13.Tundaé;



Como todo disco da TBS, muitos criticam a qualidade de áudio. E como sempre, nós dizemos que a TBS sempre fêz um bom trabalho de divulgação em suas produções que já se tornaram emblemáticas. Aproveitamos esta postagem - como sempre fazemos - para falarmos um pouco de nossa vivência com os cultos Angola/congo.



Muitos irmãos nos escrevem em PVT, ou nos perguntam na FTU - depois dos ritos - sobre as nações Bantu e os cultos Angola/Congo e mesmo Cabinda. A vivência que tivemos nesses cultos (além de informações familiares) foi feita com Mãe Maria Helena Batista (Taualuangi), que foi nossa mãe de santo antes de conhecermos Mestre Arapiagha. Ela foi feita no Omolokô mineiro, mas teve sua iniciação primeiramente na Angola por ancestralidade do Tumbensi e na Umbanda via terreiro do famoso Sr. Caboclo Inko, grande referência da Umbanda paulista nos anos 30/40.



Por isso apenas apresentaremos um estudo feito com base em nossa vivência sobre a religiosidade Bantu na África e suas decorrências no Brasil. Assim, pretendemos contribuir com o nosso passado para quem quiser saber destas informações, que evidentemente podem ser completadas e mesmo corrigidas por outros irmãos.



Na verdade são vivências que por nós estiveram “congeladas” por muitos anos até nosso mestre “retomar” algumas práticas rituais que são hoje realizadas na OICD e a ele agradecemos por validar essa nossa vivência em outras escolas com o sentido depurado de conexão mais lídima e sem conflito com as tradições que nos relacionamos hoje. Como o assunto é muito extenso, utilizaremos esta postagem para dividirmos um pouco nosso vivencial. Como todo conhecimento digno de lembrança aqui está somente um tanto de idéias daquilo que aprendemos nos outros. E por lembrarmos, deixamos a quem refletir, após a leitura, o passar adiante após uma importantíssima consulta nos nomes ao final do texto.
SOBRE AS LÍNGUAS BANTU
O termo Bantu foi utilizado pela primeira vez por Willelm Bleek, filólogo alemão, para caracterizar e definir as línguas africanas que utilizam a palavra “MU-NTU (pl. “BA-NTU”) para designar a pessoa humana. Nessas línguas, agrupadas sob o termo genérico “BA-NTU” o radical é “NTU” e o prefixo plural “BA” – Lembrando que “Ba” é utilizado como plural em várias línguas pré-históricas, pois “Ba” refere-se ao número 2 e possui a capacidade de duplicar a natureza do verbo e da ação. É por isso que, arqueometricamente, “BA” concentra em si o “Y”, dando, por exemplo, origem à lenda do “Beth-EL” em hebraico, como a Morada da Divindade.




Outros filólogos, como Joseph H. Greenberg (que foi o primeiro a identificar os limites dessa família, que ele chamou de línguas nigero-cordofanianas em seu livro Languages of Africa) e John Bendor-Samuel (que introduziu o nome nigero-congolês para toda a família, o qual está atualmente em uso até hoje entre os línguistas) após anos de estudo encontraram relações importantes entre os vários dialetos africanos. Um dos maiores avanços no estudo das línguas subsaarianas veio com o trabalho de Koelle, em sua obra “Polyglotta Africana” de 1854 onde tentou uma classificação cuidadosa em grupos, contribuindo em muito para a classificação moderna, embora o primeiro registro das línguas nigero-congolesas como uma família linguística pode ser encontrada no próprio Bleek (1856), que percebeu que as línguas atlânticas usam prefixos tal como muitas línguas do centro africano. Algumas décadas mais tarde, o trabalho comparativo de Meinhof, estabeleceu as características que reconhecem nas línguas Bantu uma unidade linguística.

As línguas Bantu constituem por volta de 500 línguas aparentadas, como demonstrou Meinhof, línguas essas faladas por povos negros que vivem na África sub-saariana e por ilhas culturais no sul da Índia (vejam texto sobre a Índia negra em nosso blogue). Compartilham de um tronco lingüístico comum, o Proto-Bantu. Assim, quando nos referimos aos Bantu, nos remetemos a povos e etnias cujas línguas têm um tronco comum e não a povos com traços raciais próximos. O que liga os Bantu entre si é uma língua oriunda do mesmo tronco e que são gramaticamente aparentadas, pois, em todas elas as palavras são agrupadas por classes em função de seu uso e natureza.

O universo Bantu ocupa grande parte do continente africano, do centro em direção ao sul, sendo uma família lingüística utilizada por milhares de falantes. Foram os Bakongos e os Ambundos os dois povos que vieram em número mais expressivo para o Brasil, e que aqui deixaram sua marca, assim como em toda a América, continente que ajudaram a construir. Eram numericamente superiores e por isso imprimiram suas características culturais a outros povos Bantu (como os Kassanje, Benguela, Moçambiques, Makuas, Kabindas, Munjolos etc) que chegavam em menor número.
Suas línguas eram o Kikongo e o Kimbundo, faladas respectivamente, pelos Bakongos (Bakongo = plural de kongo) e pelos Ambundos. Os Ambundos são o segundo maior grupo étnico de Angola e os Bakongos o terceiro. O primeiro grupo é o dos Ovimbundo e falam o Umbundo. No Brasil, principalmente no candomblé Congo-angola se faz ainda uso dessas línguas que vieram com os africanos. O Kikongo e o Kimbundo são as duas línguas mais usadas nos rituais e no cotidiano das casas de santo de raiz Congo-angola (a possível exceção seria a nação Cabinda no sul do país, mas a língua ritual que utilizam é o Yorubá de origem Ijexá). Atualmente são utilizadas como veículo de comunicação em Angola, nos dois Congos, e em países limítrofes.
Muitos dos africanos deste grupo quando aqui chegaram já vinham cristianizados, pois o contato deles com os portugueses aconteceu ainda no século XV. Alguns eram realmente convertidos, diferentemente de outros que eram católicos apenas por batismo obrigatório – prática usada no interior dos navios negreiros com anuência da igreja - mas muitos por devoção por terem se convertido ou pelo menos tido algum contato com o cristianismo em suas terras de origem, ou ainda em Portugal, onde havia também havia milhares de escravos e onde muitas manifestações culturais brasileiras tiveram origem, tais como as Congadas. Aqui estão as raízes do Omolokô: em Portugal e não no Brasil. Mas este é um outro assunto que por hora não abordaremos.
AS DIVINDADES PARTE 1
As divindades que chegaram ao Brasil são conhecidas como Bakissi (plural) ou Inquisse (singular). Há ainda algumas casas que os definem como Akixi ou Mukixi (mascarados), lembrando que nos cultos Bantu originais há a presença de máscaras rituais (bem diferentes dos cultos Yorubás) e de assentamentos e fundamentos feitos somente em barro ou madeira, já que a cultura religiosa Bantu (e mesmo a Yorubá) desconhecia a louça, que foi introduzida no culto – assim como as roupas de renda, inclusive nos cultos Gêge/Yorubanos – por influência cultural Européia. Enfim, temos o termo Akixi para os Ambundo e Nkisi para os Bakongo.



O Inkissi só recebe esse nome quando se particulariza no transe ou no assentamento, feito em um cesto ou em um boneco, em geral cheio de pregos (símbolo do poder coletivo da comunidade) e com a barriga furada onde são colocadas as ervas e o fundamento secreto de cada divindade. Antes desse processo de individualização, eles são chamados de Hamba, em seu estado não diferenciado.


Vários povos Bantu reconhecem em geral o culto ao Inquisse, aos Nkita e aos Simbi. Estes dois últimos referem-se a divindades terrestres (Nkita) e fluviais e marítimas (Simbi). As qualidades e funções desses espíritos, quase sempre protetores, varia de povo para povo, sendo que entre alguns o Nkita é sempre agressivo, enquanto que para outros a agressividade cabe ao Simbi. Para uns o Simbi é aquático e o Nkita terrestre ou vice-versa. Apenas para os três povos de Cabinda, cultuadores do Nkissi é que estes sempre são benéficos, com exceção do Nkondi e do Nkossi, que são por sua vez, utilizados pelos Bandoki para feitiçaria. Afora estes, todos tem o poder benevolente de curar, trazer prosperidade, colheitas fartas e chuvas benfazejas. Os Nkita, os Simbi e os NKissi fazem parte do cotidiano desses povos e os ajudam a vencer as batalhas do dia-a-dia.
Para os Bauoio (Woio, singular) os Simbi exercem um papel subalterno, pois são como crianças enviadas dos grandes espíritos da terra, os Bakissi ba si. Aí está uma das origens da ligação dos espíritos de crianças (os kafiotos, candengos ou monandengues na Angola que são confundidos com os Erês da nação Ketu, embora os Erês sejam uma categoria de divindades completamente dissociadas de todas as outras, que pouco tem a ver, como muitos pensam, com o orixá Ibeji) com as divindades fluviais e marítimas, como Dandalunda, Kaia, Kissimbi e outras.


O elemento principal da representação do Nkissi é uma pedra, retirada do leito de um rio, por pessoas em transe com o espírito. Essa pedra é, quase sempre, colocada num cesto, acompanhada de pemba, argila vermelha, pó de tacula e outras especiarias, tudo regado a vinho de palma e Menga quando a divindade assim o pedir.


Nas tradições do Palo Congo (Cuba) o Nkita é reconhecido e cultuado e no Haiti há o culto aos Simbi. No Brasil apenas o Nkissi é cultuado, sendo a única referência ao Nkita que conhecemos, são informações nos dada por Tata Tawá - quando o conhecemos no Alayandê Xirê - que é membro da tradicional casa do Bate-Folha de Salvador-Ba. O Simbi aparece em algumas cantigas, mas nem sempre é notado pela maioria dos fiéis e sua única ligação é com Kissimbe, um importante Nkissi das águas doces.
Assim os cultos Bantu podem ser definidos – imprecisamente, dada a grande variação religiosa e ritualística existente nesses inúmeros povos – da seguinte forma:


1) Zambiampungu, Nzamé, Zamby e outras centenas de designações, sempre com os radicais “Zam” (nas línguas antigas representa o Sol. Por ex: Sabeísmo, palavra persa surgida da raiz “ZAAB”, significando Deus, divindade, de onde provém todo saber) representando o Deus supremo;
2) Os Hamba (Ou Nkissi, quando individualizados), que são as grandes forças ctônicas, formadoras do universo;


3) Os espíritos elementais da natureza, como os Simbi e os Nkita, sendo os primeiros espíritos aquáticos e os segundos espíritos terrestres;
4) Os espíritos dos antepassados, tanto os bons (os Bakulu) quanto os maus, (os Matebo ou Nkuyu).


Os Inquisse se dividem em famílias, ou seja, não são agrupados em categorias de uma mesma divindade com várias características como acontece com as divindades Yorubá, ou como fazem os Fon, com seus reis divinizados. Assim, vamos encontrar várias divindades aparentadas, com culto e fundamentos específicos e diferenciados. Começaremos com as divindades dos caminhos e das encruzilhadas, que como verão, são várias. Lembrando novamente que estas são as divindades que conhecemos em nossa caminhada pessoal pelos terreiros que conhecemos e pela vivência com nossa primeira mãe de santo, Maria Helena Batista, que era feita em Angola aliado a nossos estudos sobre a religiosidade dos povos Bantu da África.


Por isso muitos destes Inquisses podem ter nomes derivativos da cultura Yorubá, pois como bem sabemos, o culto Angola/Congo tomou como matriz o formato de cultos yorubano e os adotou em seus ritos próprios, na verdade configurando as matrizes das genuínas manifestações religiosas brasileiras. Em outros discosde outras divindades continuaremos com as famílias de outros Bakisse...


Família das Divindades Das Encruzilhadas - Bakissi Da Ingestão E Restituição


Cor: cinza e o azul escuro (ou ainda o roxo) e em algumas tribos, o branco transparente, simbolizando a água (o vermelho e preto é uma influência dos ritos Nagô, não são cores deste Inquisse nos cultos Angola/Kongo em sua origem. Lembrando que há seguimentos da Umbanda – nossa escola mesmo (!) - que se utilizam destas cores para identificar os espíritos-guardiões)
Pambu Njila, Mpambu Njila, Bambogira, Kongogiro, Ganga Pambuguera, Pangira, Ungira, Ungila
Alguns autores – dentre eles Nei Lopes - registram e dão a sua origem como do Kikongo e do Kimbundo com ligeiras variações em seus nomes (provavelmente fruto da mistura de diversas etnias que pronunciavam de modo diferente um nome comum à mesma divindade), na África, no Brasil e em Cuba, no Haiti e em outros países americanos, como a Colômbia e a costa dos EUA. Na verdade, “Mpambu” tanto em Kimbundo quanto em Kikongo significa cruzamento, encruzilhada (sendo que, em Kikongo, há a tradução de “Mpambu” como portão, ou local fechado), e “Njila” significa rua, caminho.
Por extensão, atribui-se em Angola esse nome aos homens andarilhos, os “homens da rua”. O nome “Pomba-Gira” já possui uma relação mais complexa e profunda com o “Pambu Njila” Bantu, acrescido de outras informações que vão de mitos europeus, persas e até indígenas, que, se der, um dia coloco aqui. Sem nenhuma variação mítica, em todos os povos Bantu, a encruzilhada é o umbigo do mundo, o início dos tempos primordiais onde tudo teve começo, o ponto de onde surgem as quatro retas que constroem a encruzilhada. Nzambi criou o mundo a partir desta cruz e colocou Mpambu Njila como o senhor absoluto desses caminhos, fazendo-o segurar os quatro gomos principais do Ngombo (jogo divinatório Bantu, equivalente em importância ao Opón dos Sudaneses – para que Kukiakalunga (Uma emanação de Nzambi. Kukiakalunga é o “Pensador Angolano”, equivalente ao Orunmilá Yorubá) pudesse vaticinar os destinos do mundo. Mpambu Njila é o guardião por excelência.


Aluvaiá


Aluvaiá em Quicongo fonetiza-se “Alu-Vuya”. Algumas nações, como os Tio e os Shona fonetizam Alu, ou Lalu. É uma divindade do Congo. Nas casas Angola/Congo, normalmente as cantigas referentes à Aluvaiá são entoadas em português. É o Inquisse da herança espiritual, da continuidade dos valores. É a divindade que faz os acordos com o inimigo, se fazendo passar por ele, sendo um senhor da infiltração. É quem fecha os acordos e os favorecimentos no terreno da magia.


Mavambo, Mavangu, Marambo, Marabu, Malagô, Navango, Igo Mavan, Marabô, Jiramavambo


O Senhor do Barro, o Conquistador! Nascido dos sonhos de Nkoce. Quando em suas andanças, Nkoce parava para dormir nascia um montículo de barro onde Nkoce colocava sua cabeça. Pela manhã, nesse monte, a cada dia nascia um Mavambo, para vigiar os caminhos dominados pelo vencedor dos Leões. Em várias regiões da África, os muçulmanos eram chamados de Marabu, em alusão ao fato de terem sido conquistadores em várias partes do continente. Há ainda, o termo Barabô, numa clara fusão do Jeje e do Cabinda nos terreiros do sul do país.
Sinzamuzila
O Inquisse que recebe o poder das bebidas que são colocadas na casa de fundamento e nas tronqueiras. Aquele que é sempre seco e que recebe a “Marafa” na cuia de cabaça no ritual propiciatório das escolas Congo/Angola, quando se envia o Sinzamuzilla para a porta. Do quikongo “Sanzala”, bêbado, trôpego.


Malungo
O Inquisse que acompanha as pessoas durante toda a vida. Aquele que envia seus “fantasmas de proteção” (Zumbikukulu) para acobertar quem entra e sai do terreiro, quem nos protege da morte; Aquele que livra do sofrimento. Entre os Lundakioko, “Ma-lunga” homem, amigo etc. Do Kikongo “Lungo” (Ma-lungo, plural), morte, dificuldade.
Jujuku
Aquele que faz magia de morte. Ainda que a palavra “Jujuku” seja uma palavra provavelmente Yorubá (“Juju” = magia com objetos; + “Iku” = morte) que deve ter sido aprendida pelos descendentes Bakongo, este Inquisse é utilizado para feitiços e para tormentos onde são usadas coisas pessoais daquele que se pretende agredir magisticamente.
Kijanjá, Kujanjo
Inquisse da matança e da Lua. É aquele que recebe as oferendas de todos os outros Inquisse e faz a transmissão do poder das oferendas a todos do terreiro. Por isso as matanças são feitas com os animais em ciclos que obedecem às fases lunares. Do Proto-Bantu “Kijan”, Lua, usado ainda hoje pelos jongueiros do Brasil como “Quijama”.
Mavilutango
O Inquisse da dança e do movimento, dizem as lendas que ele é que dá ao ser humano, através da dança, a capacidade de se relacionar com o mundo, com os vivos e os mortos. Por isso é ele quem se encarrega de levar o “Padê”. A palavra “Tango” vem do quibundo “Tangu”, significando pernada. A dança argentina de mesmo nome provém dessa mesma raiz Bantu, cujas origens foram praticamente esquecidas por lá.
Burungangi
Inquisse dos Bakongos, conhecido como “Mbulu” ou “Mbulunganga”. Há uma expressão em Bakongo que significa “Grande força” (Mbulu-nguzu, embora esta palavra se relacione mais com o Inquisse Burugunzo). É aquele que acompanha Biolê e é assentado nos trilhos e nas ferrovias. Nesse caso, este Jila descreve-se como “Mbulu-Nganga”, “Poder do Ferro”. A palavra “Nganga” aponta para termos Bantu relacionados a “derreter”, tais como o quicongo “Kanga” ou o Quioco “Nganga” (metal fundido), e finalmente ao Bantu genérico “Ngangula” (ferreiro). Associa-se ainda, ao Bantu multilingüistico “Nganga”, significando feiticeiro.
Bionatan
Inquisse patrono da alegria. Recebe doces e flores. Algumas traduções do Quimbundo indicam essa palavra como “risada”, bem ao estilo dos Njila. Mas há ainda, traduções do Quicongo: “Mbyantunda”; “Ntunda” – Monte, colina; “Mbya” – coquinho de palmeira, talvez uma aproximação deste Inquisse com o Exu yorubano nas questões dos métodos divinatórios.
Sigatana, Singangara, Siganga, Gangaiô
“Singa” – nome que se dá à vara do canoeiro. No quicongo “Sinda”, se traduz como ir ao fundo d’água; no umbundo “Sinda” refere-se ao ato de empurrar associado ao multi-Bantu “Nganga” – feiticeiro, traduz-se aproximadamente como o feiticeiro que habita o fundo das águas. De fato esse Njila associa-se a Zumbarandá e Kissimbi nos assentamentos destes outros MiInquisse. É invocado simbolizada pelo egan (gorrinho em forma de cone), e pela pena vermelha do papagaio.
Tibiriri, Tonã
Encontra-se menção a este Inquisse nos rituais Angola, embora seja óbvia a sua relação com o Tiriri dos Yorubá: “Ti” – Grande Força; “Riri” – Valor, traduz-se como “Valoroso”. Igualmente Tonã parece relacionar-se com o Lonã (Caminho) Yorubá. Resta descobrir se houve uma aculturação do Nagô sobre os rituais Congo/Angola, ou se na própria África essa divindade se espalhou por várias regiões. Há ainda a o termo Tupi Tiriri (nome de uma ilha), originado de su-y-ry-ry, que significa "pássaro que faz barulho”. Interessante é que em alguns totens deste Inquisse há um pássaro esculpido e ainda, na Umbanda, Tiriri é o guardião de Yori/Ibeji/Oxum (yabá dona de um pássaro), cujo sinal cabalístico de pemba representa hieraticamente, um pássaro. E, finalmente, encontramos na Cabala hebraica o termo “Tirirel” como o demônio guardião de mercúrio (planeta de Yori). Vai saber...
Ngambe, Ingambeiro, Engambeiro
O termo engambeiro ou engambelo é comumente usado pelo Povo-de-Santo como verbo, na flexão engambelar, o que aproxima este Inquisse da representação de Trickster do Exu yorubano. No Umbundo diz-se “Uyambelo” como o presente que se dá ao curandeiro, o que originou, possivelmente a palavra engambelar - de uso nos terreiros quando se dá uma oferenda de paliativo ao “santo” até que se possa dar outra melhor. O povo Ganguela diz “ndambelo” como aquela porção que se dá a mais do que se promete como “agrado” em troca de um favor. Os Soto dizem “Kabelo” com o sentido de contribuição. Ngambe é o nome de um Inquisse onde em sua barriga colocam-se moedas, notas (na antiga África usava-se búzios, marfim e cobre) e outros objetos de valor.
Etajelungi
Mais um Njila que nos parece uma somatória brasileira do fundamento das qualidades de Exu com o de algum Inquisse Congo. “Etá” em quicongo traduz-se como pênis ou como qualquer objeto que lembre o falo. É acrescido, talvez da palavra yorubana “Ijélu” – “I” – (Aquele que); “jê” (é); “Elú” (Índigo, a planta que produz a tinta chamada “Arô” para fazer o “Wáji”, que representa o preto nas pinturas rituais. Entre os Bakongo a representação do falo de alguns Njila é pintada com a cor azul, assim como dissemos na abertura, sobre os Pambu Njila e a influência ritual Yorubá.
Korobo
O Pambu da folha, espécie de “Aroni” angolano, portador da enxada, foi quem ensinou os homens a plantar. É o guardião da “Kisaba Kiasambuka” do Inquisse Katendê. Em quicongo encontramos a palavra “Kulumba”, como “homem rude do mato”, que vaga pelas estradas e “Kuluba” como “enxada velha”.
Niquerô
Inquisse que recebe as oferendas dos Minquisse caçadores. O guardião da fartura e da distribuição de força vital para o terreiro. Em quicongo, “Ndiiki”, aquele que alimenta.
Dundo Salunga, Dundo Calunga
Inquisse do mistério, Pambu do silêncio, o grande peixe que leva as pessoas para o infinito. Sua representação é a de um peixe de madeira onde se colocam mensagens e objetos para os que se foram. Dundo em quicongo é “Ndundu” e refere-se ao peixe Seese. Calunga vem do termo multilingüístico Bantu “Kalunga” que traduz a idéia de grandeza, eternidade, vastidão. Pode ser tanto identificado com o céu e o espaço infinito como com o mar. Kukiakalunga é o Inquisse pensador dos Angolanos (do verbo “Oku-Lunga” – ser esperto), o patrono do jogo Ngombo. No Brasil o termo se ligou ao cemitério e à morte, pois muitos escravos morriam no mar antes de aqui chegarem, embora a idéia de eternidade ainda assim, tenha relação com o local onde habitam os mortos
Naban, Nabondo
Inquisse guardião das árvores. Representado por um pássaro (!). Conforme o quikongo “Na-mbondo”, uma árvore, o embondeiro. Divide seus poderes com Nkondi – Inquisse da família de Nkoce - esta árvore é cultuada principalmente para o feitiço. O embondeiro tem forma de garrafão, e é chamado de “Nkondo Ikuta Mvumbi” (Embondeiro do morto gordo), por que a pessoa contra quem se faça o feitiço, contra quem se prega o prego, morrerá gordo, inchado como o embondeiro. Conforme o prego usado, o efeito, segundo o povo de Cabinda, será mais ou menos imediato, se for de ferro, de cobre ou de alumínio.
Ingué, Izangué, Yanga
Entre os Tchokwe encontramos a divindade Yanga, fonetizada como Yangue em outras tribos do norte de Angola. A lembrança da relação do nome com o Exu Yangi dos Yorubanos é inevitável. No Brasil e em Angola Ingué e Yanga compactuam do fato de não beberem cachaça nem dendê. Veste-se de branco. Na África, como no Brasil, quando está possuindo alguém, não come nada vermelho.
Malusibango
Encontra-se referências rituais de um Inquisse da fortuna em Angola, chamado “Luo-Mbangu”. E encontramos a palavra “Mbangu” em quicongo significando “benesses” ou “ganho”.
Apavenã
É o senhor das oferendas, o portador e o mensageiro. É sempre o primeiro a ser invocado. É o dono do dendê, por isso o carrega na peneira, segundo dizem...
Imbeberiquiti, Imbeperequeté
Inquisse guardião das portas das casas. Seu nome refere-se a alguém sentado, ou baixinho, provavelmente em alusão a postura que assumem as pessoas que o incorporam na África. Do Umbundo “Velekete”, pessoa de estatura baixa, ou alguém de cócoras/sentado.
Manawelé, Mawe, Mavilê
Maville é um dos nomes associados a todos os Njila. Mavile vem do Umbundo “Omavele” ou do Quicongo “Mavele”, plurais de “Avele” que significa leite, provavelmente alusão ao poder de ligação destas divindades guardiãs com o poder criador do esperma.
Kunkurunguanje
Inquisse da palavra e da invocação, das poesias e dos Jamberessu. O que fala pelas outras divindades. Do quicongo “Nkunga”, canto, poema, palavra, associado ao Umbundo “Ulungundju”, ronco ou urro. Traduz-se como “aquele de voz rouca”, característica bem típica da manifestação destas divindades.
Kamungo, Camunga
Inquisse que se esconde, que mora embaixo da terra. Seus fetiches são enterrados e as oferendas colocadas por cima, o que o relaciona aos mortos e aos ancestrais. Em linguagem cifrada os jongueiros chamam “Kamungo” de tambor, em alusão ao orifício do instrumento, onde algo pode se esconder. Há o Nhungue “Kabungu”, o Iaca “Nungo”, o Umbundo “Ochimunga” e Quibundo “Kibunga”, todos significando objetos como chapéus, panelas, baldes, etc, utensílios que identificam algo que cobre. Há ainda a concepção totêmica do rato, animal relacionado, na África aos Njila, assim como o marimbondo e outros, pequenos animais com grande poder de penetração nos lugares. A linguagem cifrada dos velhos feiticeiros velou o significado sagrado deste Inquisse, assim, no Umbundo encontramos a forma diminutiva “Oka-mpuku”, ou “Okamundongo”, rato, camundongo, e ainda, “Mundongo”, como escravo, identificando a função exterior de divindades guardiãs africanas como Exu, Bara e Pambu-Njila.
Jembelu
Classe de Njilas que recebe a menga do sacrifício: são os Yembêle. Do quicongo “Mbe”, som onomatopaico de pancada, associado à raiz “Ele”, líquido, leite, ou algo que escorre, no caso, a menga.
Embarujo
O Inquisse guardião da cura, é quem acompanha Kavungu. Do Umbundo “Uemba”, significando feitiço, veneno e remédio.
Kariapemba
Talvez por influência católica já em terras africanas, ou talvez mesmo em Portugal, essa divindade – assim como outras, tais como Nkoce, conforme veremos – é tida como extremamente maléfica entre os angolanos, havendo a necessidade de benzer-se o ambiente onde se acredite que ele esteja. Seu nome, em Quicongo “Nkadi-a-pemba” e em Quibundo “Kádia-Pemba” não assimila outra tradução que não “demônio”.


Manakó, Manacuco, Mancuco, Mancuce
Invocado no pade, é quem providencia a comida e a bebida de todos. Benéfico, não gosta de bebida alcoólica, gosta de branco. É quem dá a fortuna. Há a relação oculta da fortuna e da bem aventurança com o fato de seu nome bantu ser, no Quicongo, “Nkusi”, no plural “Bakusi”, traduzindo “o pescador”. Há ainda “Munkusi” – “Vento que vem do estômago (flatulência)”, traduzindo o estado de saciedade quando se está farto de comida.
Toroni Batola, Bute
Do Ronga “Mbuti”, bode, animal geralmente usado em sacrifício a estes Njila.
Quitungueiro
Inquisse ou espírito da morte, que se apresenta de todas as formas possíveis, pois não é possível desvencilhar-se dela. Do Quicongo “Kintungu”, tudo que aparece por inteiro, que se desenvolve e que se mostra de várias formas. Associa-se o conceito ao Quibundo “Kitungu”, casebre, mausoléu, ou seja, o lugar onde habitam os que se transformaram: cemitério.


Caracoci
Do Quicongo “Ekala” homem (quando se refere a alguém que não se conhece), associado ao Quibundo “Kutxi, Kuxi”, orelha, de onde vem o português “cochichar”. “Homem que murmura, fala baixo”. Muitas das manifestações mediúnicas e possessões africanas e no Brasil, estes espíritos se comunicam dessa forma.


Fonte: http://acervoayom.blogspot.com.br/search/label/Bantu%20-%20Angola%20Congo%20Cabinda%20etc

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Como se proteger do assédio espiritual?


Sábias palavras, mesmo para quem não acredita em reencarnação. Afinal, não fica muito distante do contexto da nossa vida mesmo.
Sabemos disso, mas nunca é demais relembrar.
Como se proteger do assédio espiritual?
segundo Osvaldo Shimoda.

Sua proteção é você mesmo quem faz. Por isso, não adianta agir de forma negativa, baixar seu nível vibratório e depois rezar, pedir proteção e ajuda. Nenhum mentor espiritual poderá ajudá-lo efetivamente se você desconhece, (ou se conhece a ignora), a Lei da Afinidade (os semelhantes se atraem), uma das Leis Universais.

De acordo com essa lei é seu padrão de energia que irá determinar sua proteção contra os ataques, os assédios espirituais dos seres das trevas. Portanto, qual é a qualidade de sua energia? Que energia você irradia? É a energia que você emana que dará, ou não, acesso aos seres das trevas.

Sendo assim, para que o obsessor espiritual prejudique o obsidiado, ambos precisam consentir, tem que haver um laço de reciprocidade.
E qual é esse laço?
É a ira, o ódio, o desejo de vingança, o sentimento de inferioridade, a rejeição, o medo, etc.. Nunca é demais lembrar que, da mesma forma que o amor une, o ódio também une.

Quem odeia, pensa o tempo todo na pessoa execrada, tanto quanto quem pensa sem parar na pessoa amada. Portanto, esses laços de amor, ou ódio, quando encontram reciprocidade, ou seja, quando duas ou mais pessoas compartilham os mesmos sentimentos, acabam por se unir, atraindo-se mutuamente. É assim que funciona a Lei da Afinidade.
Portanto, o assédio espiritual só ocorre porque o assediado embora não tenha consciência de alguma forma está ligado energeticamente ao ser espiritual que o assedia, pois ambos estão sintonizados na mesma faixa vibracional.

Desta forma, se o assediado não mudar suas atitudes, não sair dessa vibração, o assédio espiritual irá continuar. Na maioria dos casos, a relação obsessor e obsidiado é algo secular ou mesmo milenar. Por isso, concordo plenamente com a doutrina kardecista quando se refere à reforma íntima, isto é, a necessidade de se fazer um trabalho interior de autoconhecimento para que possamos identificar e mudar ou pelo menos atenuar maus hábitos e imperfeições, traços ruins de personalidade, tendências negativas que trazemos de outras encarnações, tais como egoísmo, arrogância, prepotência, maledicência, sentimentos de inferioridade, culpa, baixa autoestima, autodesvalorização, ganância desmedida, vícios, fobias, etc..

São esses maus hábitos e imperfeições que realimentam, que nos tornam vulneráveis aos ataques dos obsessores espirituais. Valem dar aqui duas dicas, sugestões de como se proteger dos assédios espirituais:
- não criticar ninguém: não apontar as falhas e os defeitos alheios. Pode acontecer daquela pessoa que você mais critica vir a ser a que mais lhe dará apoio num momento mais doloroso de sua vida;

- não julgar, não condenar ninguém: Jesus dizia: "Não julgueis para não seres julgado". O passado nos condena, pois enquanto seres espirituais em evolução, já erramos, cometemos erros, injustiças, prejudicamos as pessoas em outras encarnações com atos que hoje classificaríamos como bárbaros, atrozes, selvagens, mas que na existência passada não víamos dessa forma por falta de esclarecimento, de consciência desperta acerca das Leis Divinas. Então, pelo fato de não termos tido um passado louvável, fica claro que não temos nenhuma moral para julgarmos alguém, e é provável que quanto àquilo que a gente julga, tenhamos feito o mesmo e até pior nas vidas passadas.
 Quem garante que isso não tenha acontecido? O véu do esquecimento do passado nos impede de sabermos. Por isso, é mais sábio e mais prudente não julgarmos; caso contrário, caímos na antiga expressão popular "O sujo falando do mal lavado". Em suma, não alimente o mal, a maledicência, pense somente no bem e viva em paz sob a proteção dos bons espíritos. Por fim, exercite sempre o perdão.

Coletanea Tata Gongofila.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

MITOLOGIA BANTU QUE INFLUENCIOU OS CULTOS AFRO BRASILEIROS



Capítulo do livro: África, mitos y leyendas - Alice Webner
Traduzido por Kota Mutarerê
1. Todos os grupos bantus crêm na sobrevivência da alma depois da morte. Além disso, crêm que o espírito do morto pode influenciar nos assuntos dos vivos. Se alguém fica doente, supõe-se que algum espírito foi ofendido e vinga-se mandando a doença, ou então que a pessoa se aborreceu com alguém provocando a inimizade e a
vingança. Em qualquer dessas situações o Adivinho deve consultar os Espíritos para saber quem é o responsável e qual o remédio que deve ser recomendado.
2. Em toda região bantu, de Angola e parte do sul do Zaire, acreditam-se que KALUNGA- NGOMBE é o Senhor da Morte. Está presente na Kimbanda brasileira com as mesmas funções e culto como fazem os Quimbandeiros africanos há muito tempo.
3. Atualmente na África, o culto a Kalunga pelos Quimbandas se denomina Quimbanguismo ou Quimbandismo. Na realidade a Quimbanda brasileira surgiu da Kimbanda africana que é um culto primitivo, ancestral. Todos os Ngangas e Kimbandas  africanos realizam rituais de sacrifícios de animais, entre eles: búfalos, bodes, galos, gatos e galinhas.
4. A grande maioria dos grupos bantus, acredita nos fantasmas familiares ou ancestrais divinizados (avós, mãe, tio etc.) aos quais chamam KUNGU (no singular) e MAKUNGU (no plural). Estes Espíritos perdem a sua individualidade com o tempo e entram para uma das classes de Espíritos chamada VINYAMBELA e MWENE MBAGO. Os Vinyambela são os espíritos das crianças e os Mwene Mbago são os dos adultos (Senhor e Senhora do bosque), sendo que estes espíritos têm mais poder do que os da corrente dos Makungu.
5. È fácil notar que a Umbanda tem a mesma base, acreditam nos Makungo, no Kungo de cuja palavra se originou a palavra CONGO que cognominou os “PRETOS VELHOS”. Daí em diante os pretos velhos (fantasmas familiares ou Makungo), foram chamados de “avô avó”,tio”, “pai”, etc . e logo perderam sua individualidade para fundir-se a um grupo que não tem nomes próprios e de uma maneira geral são chamados de “arranca toco”, “ogum”, “xangô”dependendo da linha prevista na organização umbandista.
6. Na África bantu os Espíritos vivem geralmente no monte sagrado, lugar onde são enterrados os mortos. As árvores desse monte nunca apodrecem e se protegem o quanto possível, pois dentro dessas árvores habitam espíritos poderosos. Ao pé das mesmas se encontram pontas de flechas, louças quebradas, enxadas velhas, etc. É assim desta forma que se marcam a tumba.
7. Segundo eles, os vivos não podem comer a comida dos mortos. Várias lendas bantas contam que a pessoa que entra no reino dos mortos, por acaso ou intencionalmente (para fazer algum ritual) é proibida de tocar em qualquer alimento que ali se encontre sob pena de ficar aprisionada alí para sempre. Isto é também uma regra dentro dos cultos afro brasileiros da Quimbanda; nunca se reparte a comida de uma mesa até não haver passado o Reino de Kalunga.
8. Grande parte das tribos é formada por clãs, que são associados a determinado Nkisi, e dizem pertencer à família deste Nkisi, para tanto, cada clã tem uma determinada proibição ou tabu que os bantus chamam de NZIO, MWIDZILO, KIZILA ou NZILA, de acordo com os dialetos. Pode ser uma proibição alimentícia com inclusão de algo
relacionado com a natureza: a água de chuva, a madeira, o fogo etc.
9. Na Quimbanda brasileira uma das kizilas é a água de chuva; nenhum quimbandeiro incorporado pode molhar-se com a água que cai do céu; segundo o mito bantu poderia até morrer.
A kizila de água de chuva é para o clã UWINGU (do céu), acreditam que a maioria dos Espíritos de Kimbanda pertenceria a esse clã.
10.Os Ngangas (chefes feiticeiros) são manifestados por deuses e espíritos de ancestrais poderosos e através destes, interpretam oráculos, curam, bebem, fumam e desta maneira, voltam momentaneamente à vida. Eles são os doutores de seu povo e
s
egundo os dialetos são chamados: SINGÁNGA, NGANGA ou MGANGA; INYANGA; WANGA.
11. Para que alguém se torne Nganga, deve ser formado por um Nganga profissional para quem trabalhará primeiro como aprendiz e assistente até que o seu mestre lhe considere devidamente qualificado.
12. Para tanto existem certos rituais de iniciação que devem ser seguidos.
Primeiramente devem passar por um período de isolamento no bosque (mato), em busca da manifestação por um determinado Espírito.
13.Acredita-se que no bosque vivem certos duendes que têm meio corpo e vão em grupos dando saltos em um pé só, outros têm apenas um olho, ou uma perna ou um braço. Conforme diz a cantiga:
"Eu fui no mato, oh nganga!
Cortar cipó, oh nganga!
Eu vi um bicho, oh nganga!
De um olho só, oh nganga!"
14. As vezes a pessoa pode ser manifestada por algum espírito, então adoece e tem visões. Esta pessoa deve ser tratada por ágüem já iniciado. Assim, a pessoa que teve contato com esses espíritos, é capaz de ver sempre duendes com apenas uma perna enquanto para outras pessoas eles são invisíveis; tais pessoas se transformam em
grande artista ou dançarino ou grandes compositores de canções especiais. São chamadas para cantar e dançar em funerais e outras cerimônias e quando são pagos, aí é que se esmeram no seu desempenho.
15. O transe é um fenômeno familiar entre os bantus. Os Ngangas (doutores) possuem essa capacidade e usando métodos que somente eles conhecem também o provocam em outras pessoas.
16. Atualmente em quase toda a África há uma crença muito fortemente arraigada de que as bruxas se divertem nas tumbas daqueles que acabam de morrer, desenterrando e reanimando o cadáver para depois matá-lo de novo, comer sua carne e alguns pedaços para usá-los como ingredientes de seus poderosos feitiços.
17. A famosa “gargalhada” que dão os Exus de Kimbanda, dentro da cultura banta eles se expressam com um longo grito durante as cerimônias ritualísticas.
18. As mulheres bantus podem chegar a ser rainhas, princesas ou feiticeiras, enfim todos os títulos importantes dentro da sociedade, e aquelas que os possuem gozam de certos privigios, como, por exemplo, ter vários maridos, os quais , neste caso passam a ser escravos.
19. Isto está muito claro na Kimbanda, onde Pambonjila tem um papel importante como feiticeira e rainha tendo ainda o privilégio de ter 7 maridos. No Brasil, esse costume foi mal interpretado e confundido com outros grupos de escravos de nações nas quais a mulher não podia desempenhar papeis importantes. Mais tarde, isto
acabaria equiparando Pambonjila a uma prostituta e não com uma rainha que possui um harém, coisa que para muitos inclusive hoje em dia é impossível.
20. Os bantus cultuam uma Entidade comparável ao Exu dos nagôs que se chama Aluvaiá, e pode apresentar-se como homem ou mulher, porque na realidade não tem sexo e se chama segundo as nações bantus: ALUVAIÁ, NKUVU-UNANA, JINI, CHIRUWI; MANGABAGABANA; KITUNUSI.
21. No Brasil o sincretismo entre nagôs e bantus, comparou o Exu dos nagôs a Aluvaiá dando-lhe uma dualidade sob o nome feminino de Pombagira e o nome masculino de Bombogira, sendo que para os bantus ele pode ter um desses nomes de acordo com a identidade masculina ou feminina que se apresenta.
22. Os pontos riscados com pemba e o uso de pólvora nos rituais, é de origem bantu, assim como também a utilização de álcool, querosene, bebidas destiladas; perfumes; todos esses elementos familiares para os bantus, foram trazidos pelos árabes para a África.
23. Quando na Kimbanda vemos o bom gosto pelo luxo pelos bons quadros, as jóias, adornos, etc. estamos vendo o que os negros apreciavam quando viviam em liberdade na África.
24. Apesar de muitos dizerem que os bantús não crêm nas forças da natureza, devemos esclarecer que eles crêem sim, porém acontece que estas não são incorporadas através do transe, e sim através dos Nkisis que por sua vez no dá suas mensagens através de seus mensageiros, os (ngangas).
25. A palavra Nkisi, literalmente significa "raiz", e é usada para designar grande parte das forças da natureza.
26. Na África encontramos sobre as forças da natureza, o seguinte:
• O RAIO e o TROVÃO são associados geralmente a dois gêmeos. Em algumas regiões o Raio tem a forma de um cachorro mágico que pode ser negro ou vermelho e se chama NZAZI. Quando cai na terra emite um latido - tá! - e com o segundo latido sobe novamente ao céu.
• Em outras partes o TROVÃO e a CHUVA se associam a um menino e uma menina, cujo nome é BULUNGWANA, se escuta trovões quando chove, e as pessoas dizem: “Os bulungwana estão jogando lá em cima”.
- O ARCO IRIS, é adorado sob a forma de uma grande SERPENTE que segundo os povos bantus, Luango, Bakimba e Mayombe, “surge das águas e se encarama na árvore mais alta quando quer parar a chuva”.
- O MAR é chamado NZAMBI KALUNGA e é também o maior Nkisi na hierarquia dos terreiros.
- A MORTE é associada ao BOSQUE e ao MAR. Ao bosque porque é o lugar onde se enterra o morto; e o mar porque para os povos bantus é uma imensidão desconhecida e aterradora. Além disso, durante muitos séculos eles viram desaparecer nele, os barcos carregados de escravos que nunca mais regressaram. A morte
personificada em KALUNGA NGOMBE significa literalmente “morte do gado”, isto é também devido as doenças e seqüelas trazidas por este personagem sinistro. Rei do mundo subterrâneo dos mortos, é equivalente a Xapanã , Obaluaié e Omolu dos nagôs.
- RYANG´OMBE é um personagem associado aos vulcões, guerreiro feroz, que porta uma espada sendo, entretanto muito justo e benfeitor!

COLETANEA TATA GONGOFILA

OS DEUSES NEGROS NO BRASIL


       
 Como já dissemos, foi para a Pajelança e o Catimbó, cultos basicamente indígenas, mas já miscigenados com elementos cristãos e católicos, que entrou o Negro ou o seu descendente, especialmente no Nordeste e se eles eram de origem Bantu, por encontrar nos acima citados cultos cerimônias até certo ponto bem análogas às de seus antepassados africanos.        
Os negros banto-congoleses aceitaram esta nova religião, sobretudo, em termos de "culto aos mortos", pois os Pajés e os Catimbozeiros, através dos Maracás e das Cunhãs, dos Encantados, do Petun e da Jurema, quiçá agora da Diamba introduzida pelos africanos, comunicavam-se com o Além, ou seja, o lugar místico e/ou mítico em que os brancos, os índios, os negros e os mestiços de todos, igualmente situavam a existência de seus antepassados.
        Sobre isso, diz-nos Roger Bastide (1971) : -"O bantu, passando à América, deixou atrás de si, além de seu território, os espíritos que o povoavam ... E chegando a uma nova terra que estava, ela também povoada de espíritos, devia ao mesmo tempo que era obrigado a aceitar o novo território em que devia viver, aceitar também forçosamente o seu duplo espiritual. Que as coisa assim se passaram, não quero por testemunho senão às próprias afirmações dos Negros do Catimbó : Agora somos brasileiros. Devemos adorar os deuses da nova pátria."-
   Depois, à medida que mais e mais negros de origem Bantu, sobretudo Congo e Angola alforriavam-se e reagrupavam-se na periferia das maiores cidades da época, eles mantiveram as partes dos rituais de seus antepassados que conseguiam por em prática dentro dos limites estreitos da escravidão, criando os primeiros Candombes, que é uma palavra de origem Bantu e não Iorubá, significando no Brasil, "instrumento de percussão" e/ou "lugar de danças de negros" e, por extensão, "lugar de terra batida por pés" ou "terreiro" onde praticavam seus cultos religiosos, os quais, sob a forma de cantos e danças - o Batuque - eram permitidos e até incentivados pelas autoridades na tentativa de contrapor-se ao "Banzo", tristeza depressiva que freqüentemente levava o escravo Banto à morte pelo suicídio e, também, para que tais manifestações que consideravam apenas lúdicas acirrassem as diferença s "tribais" entre as diversas variações étnicas africanas aqui escravizadas (Congo, Angola, Mina, Grunci, Galindas, etc). Mas, obtida a permissão de seus "senhores" para realizar tais "reuniões", os Bantos nelas inseriram as práticas religiosas para seus "M'inkisi" (plural de N'kis portuguesa gerou o termo "Inkices"), divindades equivalentes aos posteriores "Orixás" Sudaneses, acobertando-as com um mimetismo das práticas religiosas dos cristãos, mas incorporando, assim, o "poder místico" dos Santos Católicos que mais se aparentavam com suas práticas religiosas africanasi que em língua  E também enganaram-se as autoridades ao pensarem que o Candomblé ou Batuque poderia atiçar as velhas rivalidades tribais existentes desde a áfrica. Ao contrário, desde os seus primórdios, estes Candomblés incorporaram muitos dos Catimbó já mais africanizados, levando assim para o seu interior o sincretismo religioso católico-indígena que já se revelara útil como artifício de camuflagem para a celebração pública de suas reais práticas religiosas.
   Tornaram-se, também, as sementes dos futuros "Candomblés de Nação" que surgiriam mais tarde, pois, a partir do início do século XIX, quando a entrada maciça e em curto período de tempo de negros de origem sudanesa na Bahia e no Rio de Janeiro, suplantando todas as outras etnias, começou a crescer e evidenciar-se o prestígio ritualístico e litúrgico dos cultos religiosos sudaneses Iorubás ou Nàgôs, os quais interpenetraram e reinterpretaram os existentes Candombes de origem Bantu e, finalmente, impuseram-se, nas regiões próximas às cidades de Salvador (BA), Recife (PE) e Rio de Janeiro (DF) , por sobre todas as formas de culto em que participassem majoritariamente o Negro e seus descendentes.
        Que assim se passou, diz-nos Pierre Verger (1971) : "A palavra Candomblé, que designa na Bahia as religiões africanas em geral é de origem Bantu. é provável que as influências das religiões vindas de regiões da áfrica situadas nas imediações do Equador não se limitem apenas ao nome das cerimônias, mas tenham dado aos cultos gêges e nàgôs, na Bahia, uma forma que os diferencia, em certos pontos, dessas mesmas manifestações na áfrica."- Aportado ao Brasil muito tempo depois (fins do Séc. XVIII), o conhecimento espiritual dos descendentes da Nação Africana Sudanesa Yoruba também adotou a proteção da prática do Candomblé, reunindo os seus "Santos de Fora" aos "Santos de Dentro" num só lugar de culto: o "Terreiro-li-ese-orisa". Mas, diferentemente dos Bantos, os Nagôs Sudaneses usaram o sincretismo religioso de seus "Awon Orisa" (plural de "Orisa" que em nossa língua gerou o termo "Orixás"), com os Santos Católicos apenas como uma "fachada" ritualística, já que isto oferecia uma certa proteção contra o abuso de autoridades de então. Assim sendo, com o passar de mais de um século, esta nova ritualística dos descendentes da "Nação Yoruba", escravizados no Brasil, em vez de ser antagonizada pelas outras etnias negras, começou a servir de modelo e misturado ao anterior conhecimento espiritual da "Nação Banto" (Congo e Angola), dando origem aos Cultos Afro-Brasileiros conhecidos à partir de então sob a denominação genérica de "Terreiros de Candomblé", fossem qual fossem as suas origens.
    E já no final do século XIX, os cultos de origens Nações Bantu, Congo e Angola e, também, os cultos de origens indígenas, nas regiões da Bahia e Pernambuco, estavam submetidos às normas ritualísticas do Candomblé de Nação Sudanesa, mas não especificamente no restante do país, pois que só esta Nação Sudanesa conseguia revigorar sua crença através do animado tráfego comercial marítimo que se criou entre Salvador (Brasil) e Lagos (Onin - Nigéria) no início do século XIX
   Recentemente, de uns trinta anos para cá e já passada a necessidade do sincretismo religioso para sua sobrevivência, os Candomblés de Nação Sudanesa começam a reverter a tendência de simbiose com os outros cultos ao fecharem questão sobre a primazia de suas raízes étnicas sobre todas as outras, tornando-se assim uma religião exclusiva de um grupo étnico negro definido, isto é, Sudanês, mesmo quando o culto é praticado por negros de outras etnias, brancos, índios e mestiços de todos os matizes, tornando-se finalmente a celebração da memória coletiva africana sudanesa em solo brasileiro e que hoje rejeitam com veemência o sincretismo religioso que outrora praticaram para sobreviver.
        Como resultado desta inconteste hegemonia Sudanesa (Ijêxá, Kêtu, Òyó, Ifé e Benin - enfim, Nàgô) e sua posterior rejeição às outras correntes religiosas negras, surgiram os Candomblé de Nação Bantu e Angola que, por sua vez, expeliram de seu meio o elemento indígena que veio então a dar origem ao Candomblé de Caboclo e ao Omôlocô.
        Mas, esta anterior mixagem e/ou mimetismo de ritualísticas aparentemente semelhantes aos olhos da sociedade escravocrata brasileira, escondia diferenças profundas de Teogonia e Liturgia entre elas, as quais torna-se-iam mais evidentes quando cessou a perseguição médico-sanitarista e policial contra elas, mas já então a Ritualística de origem Sudanesa, bem ou mal, havia sobrepujado todas as de outras origens.E, como a etnia sudanesa conseguisse manter contato efetivo com suas origens africanas, através de animado tráfego marítimo entre Salvador e Lagos, cessada a necessidade da proteção do aparente sincretismo religioso, essa hegemonia ritualística iorubá sobre todas as outras ritualísticas fez com que os ritos de origem sudanesa se separassem definitivamente dos demais.  Desta forma, a instituição do Candomblé ainda hoje apresenta nítidas separações quanto às suas origens: O Candomblé de Nação Sudanesa, o Candomblé de Nação Angola e o Candomblé de Caboclo. Tendo alertado para estas reais diferenças existentes, próprias à cada "Nação", vamos adiante dissertar sucintamente sobre as "figuras", agora genéricas, do Orixás no "panorama", agora também genérico, dos "Terreiros de Candomblé", sem nenhuma ordem de grandeza especial, remarcando apenas as datas em que costumam hoje serem festejados. Não vamos aqui entrar em maiores detalhes sobre cada um deles, uma vez que tais detalhes são matéria restrita aos Cultos Afro-brasileiros e caberá aos ritualistas de cada "Nação", separar os "conceitos particulares" de seus Orisa, Vodun e Inkice.
        Aos leitores, cabe-nos lembrar ainda que se as nossas anotações parecerem demasiadamente sucintas é porque elas representam uma visão geral "desde fora" e conhecimentos mais completos e profundos só podem ser adquiridos através da "Iniciação" que cada Babalawo e/ou Iyalorisa, Tata de Inkice e/ou Mameto de Inkice, os/as Vodunsi sabem ensinar e transmitir: lamento, mas não se trata aqui de fornecer "iniciação" virtual.
Baba Oberefun Si Okojumide
COLETÂNIA TATA GONGOFILA

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A CULTURA DOS VODUNS


A palavra vodum é de origem Ewe/Fon (Jeje) e significa força divina, espírito, força espiritual. É usada pelo povo do oeste da África para designar os deuses e ancestrais divinizados.
No século XVIII o rei Agajá de Dahomé consolidou as crenças de vários clãs e aldeias, formando uma “sociedade espiritual dos Voduns”onde pessoas especiais eram preparadas para ler oráculos e fazer fórmulas mágicas usando elementos da flora, da fauna e do reino mineral.
Quando foi estabelecido o grande reino de Dahomé, lá não existia o culto de Voduns. Nessa época, o atual rei sentia a necessidade de uma assistência espiritual que o ajudasse a combater os problemas que atormentavam o seu reino e o seu povo. Solicitou, portanto, a presença de  um bokono (adivinho) e pediu que esse consultasse os oráculos.
A conselho dos oráculos mandou vir de diversas regiões os Voduns e construiu seus templos. Com isso Dahomé passou a sitiar diversos clãs e aldeias de Voduns. Anos mais tarde, o rei Agajá fez a consolidação, como já foi dito.
No período do tráfico negreiro, muitos daomeanos foram levados para o Novo Mundo e com eles a cultura e o rito dos Voduns.
Os Voduns cultuados no Brasil são originários da África, sua práticas e tradições se mantiveram intactas como era no Dahomé (hojel Benin) desde o começo dos tempos.
Com a escravidão, a nação Jeje sofreu baixa quanto a preservação de sua cultura. Os mais antigos preferiram levar para o túmulo seus conhecimentos a passá-los aos que poderiam perpetuar os Voduns no Brasil.
Dos filhos de Jeje que ficaram perdidos, sem conhecimento sobre Voduns, uns mudaram de nação e outros resolveram investigar, buscar, pesquisar suas origens, identidade e levantar a bandeira da nação.
Hoje, graças a essas pessoas, a nação Jeje voltou a crescer e a seguir a cultura que foi deixada pelos escravos. Hoje, encontramos kwes e pessoas que realmente sabem o Culto dos Voduns, esses aprenderam a passar seus conhecimentos e não deixar que sua cultura se perca.
E uma coisa que se deve aprender é a diferença entre Voduns e Orixás - Vodum é Vodum, Orixá é Orixá; Oya não é Vodum Jô. Aziri não é Oxum, Naetê não é Yemanja, etc.
Assim como na África, também no Brasil, os Orixás são cultuados dentro dos templos de Vodum, mas isso não os transforma em Voduns, eles são considerados deuses estrangeiros e são tão respeitados e venerados quanto os Voduns. Não existe discriminação nenhuma em relação aos dois tipos de divindades (Voduns/Orixás). Em templos de Orixás, também encontramos Voduns feitos, a única diferença é que no Jeje, não mudamos os nomes dos Orixás onde Oya, Yansã são conhecida exatamente como Oya, Yansã. Já os Voduns em templos de Orixás mudam de nome, por exemplo, Vodum Dan/Bessen recebe o nome de Oxumarê, Sakpata recebe o nome de Obaluaê, etc. Esse diferença também é registrada na Nigéria, então, não é “coisa de brasileiro”.
Os Voduns são agrupados por famílias; Savaluno, Dambirá, Davice, Hevioso; que se subdividem em linhagens.
A sociedade daomeana é patrilinear e polígena, isto é, dá-se por linha paterna; o homem é casado com diversas mulheres. A sociedade organiza-se em sibs, grupos de irmãos que têm a mesma mãe e o mesmo pai, sem base territorial própria e subdividem-se em famílias.
No Brasil, as casas de santo cultuam todas as famílias, porém, os Voduns são interligados entre si com comportamentos, costumes, gostos e atitudes sempre gerados pelo ancestre ou chefe de da casa.
O Brasil herdou vastos panteões de divindades que ficaram regionalizados de maneira que somente alguns Voduns tiveram domínio nacional.

postado por E. M. Nações Unidas
COLETÂNEA TATA GONGOFILA