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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

LENDA DE NKICE KITEMBU - TEMPO



Kitembu
Houve uma época em que as diembu bantu (tribos bantu) sofreram com a morte principalmente de crianças, e as mulheres com hemorragia não conseguiam parir.
O sobá (rei) então procurou o nganga ua ngombo (adivinho) e sugeriu que fizesse uma consulta através do minenge wa ngombo (cesto da adivinhação) para saber o motivo daquele sofrimento.
Nganga então obteve a resposta, as tribos bantu estavam sendo atacadas por mbungula (espiritos trevosos) e que deveriam prestar culto ao nkisi kitembu (nkisi da hemorragia da vida e da evolução) para que a vida voltasse ao seu ciclo natural, e o sobá imediatamente reuniu todas as tribos bantu que fizeram grande oferenda ao nkisi kitembu e da terra brotou um pó branco “pemba” que até hoje podemos ver em barrancos.
Pemba é o espirito do grande pai de todas as tribos bantu “nkuku a lunga” e esfregaram ao corpo aquele pó branco ficando livre de qualquer maldade e assim o povo bantu cresceu por toda a áfrica, e em homenagem ao nkisi kitembu levantaram um mastro bem alto com uma bandeira branca na ponta simbolizando “pemba” que quando balança com o vento mostra a direção que o povo bantu deve seguir para não ter sofrimento. Kitembu é simbolizado por uma grelha (suplicio, sofrimento) uma escada (crescimento, evolução) uma seta que aponta o duilo (fazendo uma ligação entre o céu e a terra), um ancinho instrumento agrícola próprio para juntar palhas (restos do suplicio humano) cabaça (masculino e feminino como conta a criação).


Acreditamos, cá entre nós, que pelo que conta a lenda, é que no Candomblé assentamos Kitembu representado nos seguintes SIMBOLOS, cuja interpretação dos mesmos é simples e coerente com essa lenda ancestral.

• O MASTRO ALTO COM UMA SETA NA PONTA (simboliza a busca da comunicação entre a terra e o céu)... A ponta da seta significa a persistência da busca pelo infinito a dentro.
• Uma BANDEIRA BRANCA simboliza os BAKULO (espíritos dos nossos antepassados que intercedem e interferem a nosso favor). A cor branca simboliza a espiritualidade, a energia pura. A ponta da bandeira indica o caminho a seguir...
• A ESCADA simboliza que a evolução humana é Lei da Natureza. Tudo tem que evoluir, porque nós humanos somos fadados à perfeição. Portanto, sendo a Terra um planeta de provação o melhor a fazer é tentar ser sempre melhor do que nascemos. Isso vale para todos os aspectos existenciais.
• O FOGAREIRO é o fogo universal, a centelha divina que está em tudo, queimando... transformando...
• A GRELHA simboliza o sofrimento, o suplicio humano... Que o ser humano vem para ser “assado” numa grelha até se “transformar”
• O RASTELO, instrumento agrícola, próprio para juntar palhas, simboliza que o tempo arrasta tudo... Inclusive os suplícios humanos... ou arrasta o próprio ser humano...
• O CIRCULO onde as cabacinhas estão penduradas, simboliza o ciclo existencial... a Vida.
• A KALABASA (CABAÇA) simboliza o Universo infinito, limitado no símbolo, de onde teve origem tudo que foi gerado. Portanto simboliza o poder gerador MASCULINO e o FEMININO.

Existe uma lenda bantu que conta que tudo teve origem do “saco da criação”, chamado FUCUM... É fácil constatar que um saco tem a forma de uma cabaça.

COLETANEA DE TATA GONGOFILA

quinta-feira, 26 de março de 2009

LENDA NKICE NDANDALUNDA



Kissimbe - Ndandalunda


Havia num lugar aí uma viúva que nunca amou. Casou-se sem conhecer o noivo, e enviuvou na mesma hora do casamento. Quando ouvia falar nestas coisas que fazem a gente se lembrar do que teve e não gostou ,entristecia.

Aconteceu que, por uma dessas da vida, apareceu-lhe um todo “suspiroso", ela sentiu tais coisas no coração que gostou dele. Era um homem alto, os braços compridos, quase tocando a terra, umas pernas parecendo de pau, uns olhos bem vermelhos. Dia para dia ele ia minguando, minguando, até ficar um anãozinho. E ela o queria sempre mais. E ele foi minguando, minguando, até ficar de um tamanhinho que ela já o guardava nos seios. Por fim, naquele lugarzinho tão feliz, ele minguou, minguou, e desapareceu. A moça ficou como louca. O seu chimbambinha!- e chorava desesperada.

(mas de tudo a gente se esquece neste mundo. O coração não fica velho para amar. E’ casa que não fica vazia).

Não demorou muito para aparecer outro, mas ela, volta e meia lastimava-se, chorando, do que havia desaparecido de seu seio. E olhava para o novo, vendo muitas vezes nele o mesmo que foi o coração dela. E por isso, começou a lhe querer bem. E quanto mais ela o amou, mais ele cresceu. Afinal de contas, de tanto bem que a moça devotou ao homem que era o retrato do primeiro, ele tanto cresceu que nem podia entrar na cubáta. E, por isso, já se encontravam da parte de fora. Ai ele cresceu ainda mais ligeiro. As conversas se tornaram a tal ponto difíceis que a moça sentava-se na palma da mão dele, contente de sua vida por ver que era o seu mesmo chibambinha que tinha voltado.

Aquele amor, diferente dos outros, não merecia a "carne". Chibamba que é o rei dos encantados encantou a moça. Colou as pernas dela e fez, da cintura para os pés, um meio corpo de peixe. Deixou-a mulher da cintura para cima. Cobriu-lhe o corpo todo de escamas de prata reluzentes. Os cabelos, dourou. E, chegando a praia chamou os peixes e disse as águas:

Esta é a rainha Kissimbe. Seu canto são as palavras de ternura que ele me disse. Na terra não pode viver:- os homens não sossegariam de persegui-la. Nas nuvens, também não:- os raios e os trovões a atordoariam. No céu, ainda menos:- os de lá ficariam malucos. Aqui, no meio de vocês, ela é rainha, a rainha das águas.

E entregou-a aos peixes que a levaram em procissão. E ela, cantando, despediu-se dele, como si se despedisse do mundo.

(a lenda de Kissimbe é de uma poesia flagrante. O amor é a própria harmonia do ser. Novo ou ressuscitado sejam quais forem as circunstancias, cresce com o tempo e faz parte do próprio individuo para receber a imortalidade no esquecimento )

Conto Recolhido Em Mitos Africanos No Brasil

COLETÂNEA TATA GONGOFILA

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

EXU É O PRIMEIRO A COMER




       Diz a lenda que Exu foi o cozinheiro dos orixás, e que principalmente Ogum e Xangô por serem muito exigentes, só comiam com muita pimenta e molhos especialmente preparados pelo mestre dos temperos dos Deuses. Um dia, os Orixás estava com muita fome e pediam insistentemente que Exu trouxesse a grande panela que habitualmente seria o repasto. Nisso, Exu esquece a pimenta, porque não teve tempo de ir até o mercado para a compra, por isso recebe reclamação, especialmente de Xangô, dizendo:
      - Exu, pegue o meu cavalo e vá providenciar a pimenta, pois, assim, sem o molho, eu não como - nisso, Exu sai correndo à busca de pimenta, para atender à vontade do seu companheiro Xangô.
      Enquanto Exu saía, preocupado, para buscar o tempero, todos os Orixás começaram a se servir da gostosa comida, então Xangô sugeriu que após a alimentação, a grande panela fosse preenchida com água e que nada fosse relatado, fazendo com que Exu ficasse pensando que os Orixás ainda estavam com fome, aguardando a pimenta.
      Chega Exu, trazendo a pimenta, e vai até a cozinha para preparar o molho tão desejado por Xangô. Volta e encontra a grande panela cheia de água, e constata que os Orixás já haviam comido. Exu fica indignado, jogando tudo no chão, e sentencia: apartir daquele momento, ele, Exu, seria o primeiro Orixá a comer, e sem a comida de Exu, nada poderia acontecer no plano do deuses e no plano dos homens. Por isso, todas ascerimônias dos Candomblés são iniciadas com o pade de Exu, que consta de farofa de dendê, farofa com água, acaçá e de uma quartinha contendo água.
       (Lenda recolhida no terreiro Obá Ogunté - Seita africana Obaoumin, em Recife.)


Retirado do Livro de Raul Lody - Santo também Come - Editora Pallas
Coletânea Tata Gongofila

quinta-feira, 19 de março de 2009

LENDA NKICE MIKAIÁ



Os bantu, especialmente angolêses, dizem iamangá, em vez de iemanjá como os que frequentam o culto gêge-iorubano. De iamangá, nasceu iamanjá, na voz do povo. Os étimos quimbundos para essa formação foram yayá, mãe e ao mesmo tempo moça donzela, e mangangá, poderosa. Daí a controvérsia na fabula de iemanjá. A dos nagôs e gêges teve quinze filhos. A dos angolêses é donzela.

Outra sereia é janaina, a mesma iamanjá dos angolêses, provavelmente a que substituiu quiximbi, a primeira que nasceu e cuja lenda se encontra em ditangelu (conto). Janaina é hoje confundida, quanto ao culto e ao nome, com iemanjá gêge – iorubana. Vem do quimbundu, yayá, mãe e ao mesmo tempo moça donzela, nene, grande, mais velha e ao mesmo tempo mais formosa, que os creoulos bahianos aformosearam em iánano-ina, janaina. Esse nene nos deu nene e neném e também nane, a irmã ou o irmão mais moço em contrario da significação primitiva do termo. E janaina é o nome mais nova da mãe-d’água na bahia. Abaixo segue um conto de Mikaiá em sua forma vista no brasil.

Mikaiá, senhora respeitada e de formas arredondadas e seios volumosos, mãe de aproximadamente 15 divindades como nzazi, incoce, matamba, kissimbi, mutalambô, caramocê, tata muilo, inquediamanbo e até mesmo insumbo quem criou como se fosse seu filho.

Sempre foi uma mãe cuidadosa, possessiva e extremamente ciumenta pois não admitia que seus filhos saissem de perto dela, mas um dia nzambi ordenou que as divindades preparassem o iungo para que ele pudesse povoar a terra, então um a um foi se distanciando da mãe Mikaiá que de enorme tristeza se ajoelhou e suas lágrimas formaram o oceano e de seus seios brotaram todas as farturas e riquezas que se encontram no fundo do mar, e até hoje podemos ouvir os choros e lamentos pela falta dos filhos... Mikaiá divindade oceânica, que anda por sobre as ondas, a mãe das mães, os meus respeitos...

COLETÂNEA TATA GONGOFILA

terça-feira, 2 de março de 2010

A Criação dos Seres.


 

 Diziam os Kassanjes que outrora todos nós habitávamos o mundo espiritual. Mutalambo são as lendas contadas pelos kassanjes, que falam sobre a precipitação da grande energia sobre o mundo material. Conta a lenda que, no passado, Angomi (o universo) era o próprio Zambi (Deus supremo de Angola). Nesse tempo Angomi dormia sono profundo e se expandia cada vez mais.
Ao crescer, Angomi foi vendo que ao seu redor, estava inserido o desconhecido. Como não podia sair do seu espaço, transformou-se numa gigantesca bola de fogo e começou a emitir forte luz e a concentrá-la em um determinado ponto, criando assim um ser alado a quem chamou de Aluvaiá (Anjo de Luz).
Após ter dado a Aluvaiá a essência da vida (o sangue), e o poder da criação da matéria (o pó de pemba), pediu-lhe para percorrer o espaço desconhecido e trazer informações. Aluvaiá então alçou vôo em direção ao espaço. Ao penetrar no desconhecido, Aluvaiá começou a ficar ambicioso. Sentindo-se poderoso pelo segredo obtido, resolveu não mais voltar. Passou então a moldar as massas, após precipitar energia, transformando-as em matérias.
Criou ao seu bel prazer tudo aquilo que lhe vinha na mente, ou seja um mundo para ele próprio governar. Criou o sol, a lua, a terra, outros planetas, as estrelas, os animais, os vegetais, os minerais e etc. Os seres criados por ele passaram a ocupar os grandes centros de massas aglutinadas chamados mundos. Eles não tinham porém, o segredo da perpetuação, única chave que ficou guardada com Zambi. Aluvaiá não se incomodava com isso e criava, a cada dia e a cada momento, um novo ser. Entretanto estes seres duravam pouco, por isso foram a presença de Aluvaiá , pedir vida longa. Apanhado de surpresa este bolou rapidamente um plano astucioso, usando o que lhe veio de imediato à mente maligna. Falou! __Ide em busca de um fruto que tenha alguma semelhança com a vossa raça e traga-o a minha presença para que eu o transforme em taça, dizendo isto, Aluvaiá acomodou-se tranquilamente em seu trono, se vangloriando de ter enganado as criaturas, já que eles morreriam procurando algo inexistente.
Passou-se algum tempo, alguns seres realmente morreram, mas dentre os sobreviventes, uma mulher com formas obesas, ao caminhar, já sem esperanças, por um terreno árido e de vegetação rasteira já as margens do infinito, deparou com um fruto volumoso que tinha o formato de um ser humano onde se visualizava muito bem a cabeça o pescoço e o corpo volumoso. Poderia se dizer que era a sua própria semelhança. Satisfeita com o achado, correu a presença de Aluvaiá e lhe apresentou o fruto. Este, pasmo diante do que achava impossível, já que criara tanta coisa sem nem parar pra ver, pegou o fruto que era uma CABAÇA, abriu o fundo, virou ao contrário e transformou-a em taça. Nela depositou o seu próprio sangue deu de beber as criaturas para que suas vidas fossem prolongadas. Todavia, com o tempo Aluvaiá foi enfraquecendo, para se manter poderoso, resolveu então passar a beber o sangue dos seres que ele mesmo criara. Com isso passou a ter a mesma constituição dos seres viventes...
Nesta época os seres não conheciam o verdadeiro Senhor do Universo, Zambi, - aquele que fora criado. Indagando a Aluvaiá, um deles lê pediu a vida eterna. Imediatamente Aluvaiá valendo-se de sua astúcia e libertinagem falou ! __ O segredo está com Zambi. Iria até ele pedir o segredo da perpetuação.
Assim fez , transpôs a barreira o desconhecido e chegou a presença de Zambi. Mentindo, falou que do outro lado haviam seres bonitos, planetas, flores, etc. Mas que se ficasse muito tempo lá se enfraqueceria. Por isso precisava conhecer o segredo da perpetuação. Zambi percebendo as suas intenções falou: "Aluvaiá você me enganou, usando seus poderes e bebendo de sua própria essência. Por isso mandarei você de volta e, como castigo, terá que se manter com a própria essência da vida que você conhece - o sangue".
Zambi tomou a decisão de criar novos seres espirituais para controlar o infinito: eram os Nkices. De tempos em tempos, Zambi pedia a um dos deles para descer ao espaço de Aluvaiá e trazer notícias . Os Nkices viram e informaram que Aluvaiá fazia um bom trabalho. Zambi então pediu que Aluvaiá viesse a sua presença e falasse de suas obras.
Aluvaiá pediu ajuda àqueles que eram os mensageiros de Zambi. Para isso, usando da resposta positiva desceu com eles aos mundos habitados. Os Nkices, vendo a grande obra, passaram a ter os domínios dos mares, matas, ares, fogo, etc. Aluvaiá vendo seu império comprometido, zangou-se com os Nkices. Estes alegaram que tais segredos de formação da natureza valorizaram o seu trabalho.
Os Nkices de posse do domínio de Aluvaiá, passaram a capacitar os seres de realizar diversas proezas. Aluvaiá com isso foi perdendo o seu poder e resolveu voltar a Zambi, alegando que os mensageiros expulsaram-no do seu espaço. Zambi deu então a Aluvaiá missão intermediária de ficar entre os dois espaços.
Com o passar dos tempos, os seres, sentindo necessidade de Aluvaiá, faziam-lhe sacrifícios para chamá-lo, já que estes ficaram dependentes do sangue por ele criado. Como castigo, Aluvaiá ficou com a responsabilidade de manter a vida material, através do sangue.
Esta é uma lenda Kassanje de origem Banto que além de trazer para o Brasil os Candomblés de Angola e Congo, trouxe também a Arte Negra e os elementos folclóricos como o Maracatu, a Capoeira, o Jongo, o Samba primitivo, o Maculelê e muitos outros segmentos culturais ainda pouco divulgados. 
         
        COLETÂNEA TATA GONGOFILA (Tata de Nkice Ananguê de N’gola Djanga ria Matamba.)

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

LENDA YEMONJA OGUNTÉ


Uma das lendas de Yemonja Ogunté
Vive nos arrecifes próximo das praias, é a guardiã de seu pai Ólóókún. Sob este nome , ela é a mulher de Ógún , o deus da guerra .
É uma terrível amazonas , que trás pendurado em sua cintura um enorme facão e outros instrumentos de ferro. É muito severa, racorosa e violenta , não deixa nada a desejar a divindade Yansã em sua fúria.
Iya Ógunté, é a mãe de Ógún Akorô e Ósóósi .
Esta Yemonja´, representa as águas revoltas do mar , hora aparece como uma mãe furiosa, hora como a mais terna das mães.
Ela cerca seus filhos como uma mãe animal, os protegendo sempre, sacrificando a própria vida para salvá-los em qualquer ocasião . Porem torna-se uma mãe impiedosa para eles a obedecerem .
Conta um Ita , que Ógún seu filho estava acuado a mercê dos inimigos.
Ésú correu até onde Yemonjá estava, no fundo do mar, avisou a ela, que Ógún seria morto pelos inimigos, desesperada Yemonjá correu ao seu auxílio antes porem, seu pai a advertiu:
- Minha filha, se você deixar o fundo do mar e for acudir seu filho, jamais
poderás voltar ao fundo das águas.
Ela tomou a benção ao seu pai, passou a mão em sua espada , e com Ésú chegou até onde Ógún se encontrava em luta.
Ela chegou e entrou, ferozmente na batalha, ajudando a seu filho a vencer, ele encontrava-se ferido, daí por diante nasceu o culto a Yemonjá Ógúnté (aquela que come Ógún) ou (aquela que caminha com Ógún
)

COLETÂNEA TATA GONGOFILA

quinta-feira, 5 de março de 2009

LENDA NKICE ANGORÔ E NKICE ZUMBANDARÁ


Mametu Zumba Divindade Antiga E Respeitada, Costumava Habitar Lagos E Lamaçais, Pois Remexia O Iungo Preparando-O Para Nzambi Enviar Todos Os Seres E Vegetais Criados Por Ele E Assim Povoar A Terra. Mas Sentia Uma Enorme Tristeza E Solidão, Até Que Certo Dia Pediu A Nzambi Que Enviasse Ao Iungo Um Ser Que Pudesse Acompanha-La Em Seu Trabalho.
Nzambi Atendendo Seu Pedido Preparou Uma Massa Contendo Móio (O Sopro Da Vida, A Energia Vital) Enviando Ao Iungo E Pediu Para Que Mametu Zumba Enterrasse Bem Fundo Para Que O Ser Fosse Gerado No Próprio Iungo. Então Do Seio Da Terra Surgiu O Primeiro Ser, Era Angorô Um Ser Capaz De Transportar A Água Da Lagoa E Dos Rios Até O Local Onde Mametu Zumba Remechia A Terra.
Com O Passar Do Tempo Nzambi Povoou A Terra E Surgiram Animais De Todas As Qualidades E Junto Com Eles Vários Seres Com Formato De Angorô (Cobra) Porém Sem O Poder Que Nzambi Conferiu A Angorô.
Os Homens Povoaram A Terra, E Com O Tempo Se Tornaram Ferozes Caçadores E Passaram A Dizimar Os Animais Criados Por Nzambi, E No Decorrer Destas Caçadas Avistaram Angorô Transportando A Agua Dos Lagos E Logo Atacaram A Divindade Que Mergulhou Na Lagoa Para Se Protejer E Lá Permaneceu, Mametu Zumba Ao Perceber Que Angorô Não Mais Transportava A Agua Voltou A Lagoa A Sua Procura. Angorô Então Contou O Fato A Mametu Zumba Que Pediu Que Ele Se Escondesse Atráz Das Nuvens E Só Descesse Ao Iungo Quando Realmente Não Houvesse Perigo.
Mas Os Homens Continuavam A Dizimar Todas As Cobras Que Sendo Terrestres E Frágeis Nada Podiam Fazer, E Certo Dia Angorô Furioso Ao Ver Seus Semelhantes Mortos Desceu Das Nuvens E Mordeu A Terra, Chamando Todas As Cobras Para Dentro Do Buraco, Pediu Para Que Procriassem Sempre Dentro Da Terra E As Ensinou A Nadar Para Fugir Dos Caçadores, Mas Um Problema Maior O Preocupava, Como Fariam Para Se Defender?
Recorreu Então A Mametu Zumba Divindade Mais Antiga Que Lhe Disse Haver Um A Divindade Capaz De Ajuda-Lo, E Que Deveria Procura-Lo Na Floresta Pois Lá Era Sua Morada Onde Vivia Sob Sua Proteção E Que Antes De Entrar Deveria Gritar Seu Nome “Katende”. Angorô Assim o Fez E Katende ofereceu Sua Ajuda Levando Todas As Cobras Para A Floresta E Quando Ia Alimenta-Las Assoviava Para Que Viessem Apanhar As Folhas E Frutas.
Algum Tempo Se Passou E Angorô Retornou A Floresta Para Ver Como Andava Seus Semelhantes, As Cobras, E Foi Ai Que Percebeu Que Algumas Tinham Adquirido Um Poder Mortal Através Das Folhas Que Katende As Alimentava, O Poder Era Tão Perigoso Que Podia Matar Um Homem Em Segundos E Elas Serviam De Guardiãs...
Angorô Então Emanava Móio Que Se Apresentava Em Forma De Colorido Por Todo O Corpo E Transferiu As Cobras Que Se Tornaram De Várias Cores, E Pediu As Guardiãs Do Poder Para Só Usarem O Veneno Para Sua Defesa E Que Dessem Um Aviso Antes De Desferi-Lo, E Até Hoje Os Homens Temem As Cobras Guardiãs, E Ninguém Deve Se Atrever A Assoviar Nas Matas Pois Elas Se Apresentam Pensando Que Katende Quer Alimenta-Las Com As Folhas Do Poder...
E Quando A Chuva Termina Angorô Morde A Terra Relembrando O Poder, E Todas As Cobras Saem Do Seio Da Terra Para Reverenciar Aquele Que Se Apresenta Majestozamente Colorido, E Muitas Vezes Retorna A Sua Primeira Morada Para Transportar Água Para Mametu Zumba Remexer A Terra...
COLETÂNEA TATA GONGOFILA

quinta-feira, 19 de março de 2009

LENDA NVUNJI


Nvunji

Conta-se que em uma aldeia não mais reinava a alegria ou felicidade, pois seu soba havia morrido e os homens sem líder não tinham mais ânimo para o trabalho e as mulheres de tão tristes se tornaram inférteis. Vendo esta situação “nlukumuni” a deusa da procriação pediu para que nvunji visitasse a aldeia e levasse um saquinho que deveria ser aberto só quando chegasse a aldeia, na presença de todas as crianças. Nvunji assim o fez e ao chegar a aldeia se deparou com uma enorme tristeza, reuniu então todas as crianças da aldeia e abriu o saquinho, que continha muitos pós coloridos, então nvunji sem saber o que fazer dividiu as cores com as crianças e começou a cantar :

Akauila zinge

Akauila nvunji

(a brincadeira começa cedo)

(a brincadeira é de nvunji.)

Então começaram a pintar toda aldeia que com seu colorido fez os homens encorajarem-se novamente e as mulheres começaram a parir gêmeos, tri-gêmeos e muitas crianças nasciam de um mesmo ventre, e até hoje se canta na aldeia:

Akauila zinge

Akauila nvunji

E todos admitiram nvunji é nosso sobá, suas cores trazem felicidade.

COLETÂNEA TATA GONGOFILA

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

LENDA PAMBUNJILA


Pambunjila

Em suas visitas diárias ao mercado pambunjila percebeu que um homem e sua família pediam o que comer, pois não conseguiam trabalho e eram tratados com sobras e restos do lado de fora do mercado, pois sua entrada era proibida devido sua enorme pobreza. Um dia pambunjila se vestiu também de mendigo e tentou entrar no mercado onde foi barrado. Pediu comida e foi lhe oferecido restos, então pambunjila entendeu o sofrimento daquela pessoa, e ao receber umas moedas como esmola o mendigo mesmo sem ter nada repartiu com pambunjila, e disse:

- Pobre homem que se encontra em uma situação como a minha, compre algo e leve a sua família. Pambunjila com a moeda comprou um cachimbo e uma flauta, hora fumava cachimbo ora tocava a flauta e todos que passavam deixavam ao lado daquela família um donativo, que sempre era repartido com pambunjila, e tantos foram os donativos que a família comprou uma casa, terra e sementes para plantar, e dividiam tudo que tinham com aquele homem que nunca parava de tocar a flauta e fumar seu cachimbo.

Mas com o passar do tempo a família se tornou muito rica e se esqueceram do amigo que junto com eles ficava na porta do mercado, só se preocupavam em gastar dinheiro, e não mais sabiam repartir seus bens e comida.

Um dia voltando para casa depois de vários dias de viagem e festas, repararam que o homem da flauta não mais tocava e também não fumava seu cachimbo, riram dele e se puseram a dormir, ao acordarem sua plantação estava toda seca já não mais brotava, tiveram sua casa roubada e sua comida já não conseguiam comprar, perderam tudo e voltaram a pedir na porta do mercado... “quando pambunjila fumava seu cachimbo e tocava sua flauta, ele restituía tudo que a ele era oferecido e por ele ingerido”. “se você não compartilha seus alimentos com pambunjila, ou não lhe faz oferendas, poderá pedir esmolas na porta do mercado”.

COLETÂNEA TATA GONGOFILA

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Qualidade de Aluvaiá

01.Nileodun; 02.Dundurê; 03.Meximaville; 04.Jamukangue; 05.Pambu-njila; 06.Uembesila; 07.Lajakala; 08.Uesaba; 09.Tambala; 10.Zunga Ao To; 11.Mukusete; 12.Tunde-Tunde; 13.Tundaé;



Como todo disco da TBS, muitos criticam a qualidade de áudio. E como sempre, nós dizemos que a TBS sempre fêz um bom trabalho de divulgação em suas produções que já se tornaram emblemáticas. Aproveitamos esta postagem - como sempre fazemos - para falarmos um pouco de nossa vivência com os cultos Angola/congo.



Muitos irmãos nos escrevem em PVT, ou nos perguntam na FTU - depois dos ritos - sobre as nações Bantu e os cultos Angola/Congo e mesmo Cabinda. A vivência que tivemos nesses cultos (além de informações familiares) foi feita com Mãe Maria Helena Batista (Taualuangi), que foi nossa mãe de santo antes de conhecermos Mestre Arapiagha. Ela foi feita no Omolokô mineiro, mas teve sua iniciação primeiramente na Angola por ancestralidade do Tumbensi e na Umbanda via terreiro do famoso Sr. Caboclo Inko, grande referência da Umbanda paulista nos anos 30/40.



Por isso apenas apresentaremos um estudo feito com base em nossa vivência sobre a religiosidade Bantu na África e suas decorrências no Brasil. Assim, pretendemos contribuir com o nosso passado para quem quiser saber destas informações, que evidentemente podem ser completadas e mesmo corrigidas por outros irmãos.



Na verdade são vivências que por nós estiveram “congeladas” por muitos anos até nosso mestre “retomar” algumas práticas rituais que são hoje realizadas na OICD e a ele agradecemos por validar essa nossa vivência em outras escolas com o sentido depurado de conexão mais lídima e sem conflito com as tradições que nos relacionamos hoje. Como o assunto é muito extenso, utilizaremos esta postagem para dividirmos um pouco nosso vivencial. Como todo conhecimento digno de lembrança aqui está somente um tanto de idéias daquilo que aprendemos nos outros. E por lembrarmos, deixamos a quem refletir, após a leitura, o passar adiante após uma importantíssima consulta nos nomes ao final do texto.
SOBRE AS LÍNGUAS BANTU
O termo Bantu foi utilizado pela primeira vez por Willelm Bleek, filólogo alemão, para caracterizar e definir as línguas africanas que utilizam a palavra “MU-NTU (pl. “BA-NTU”) para designar a pessoa humana. Nessas línguas, agrupadas sob o termo genérico “BA-NTU” o radical é “NTU” e o prefixo plural “BA” – Lembrando que “Ba” é utilizado como plural em várias línguas pré-históricas, pois “Ba” refere-se ao número 2 e possui a capacidade de duplicar a natureza do verbo e da ação. É por isso que, arqueometricamente, “BA” concentra em si o “Y”, dando, por exemplo, origem à lenda do “Beth-EL” em hebraico, como a Morada da Divindade.




Outros filólogos, como Joseph H. Greenberg (que foi o primeiro a identificar os limites dessa família, que ele chamou de línguas nigero-cordofanianas em seu livro Languages of Africa) e John Bendor-Samuel (que introduziu o nome nigero-congolês para toda a família, o qual está atualmente em uso até hoje entre os línguistas) após anos de estudo encontraram relações importantes entre os vários dialetos africanos. Um dos maiores avanços no estudo das línguas subsaarianas veio com o trabalho de Koelle, em sua obra “Polyglotta Africana” de 1854 onde tentou uma classificação cuidadosa em grupos, contribuindo em muito para a classificação moderna, embora o primeiro registro das línguas nigero-congolesas como uma família linguística pode ser encontrada no próprio Bleek (1856), que percebeu que as línguas atlânticas usam prefixos tal como muitas línguas do centro africano. Algumas décadas mais tarde, o trabalho comparativo de Meinhof, estabeleceu as características que reconhecem nas línguas Bantu uma unidade linguística.

As línguas Bantu constituem por volta de 500 línguas aparentadas, como demonstrou Meinhof, línguas essas faladas por povos negros que vivem na África sub-saariana e por ilhas culturais no sul da Índia (vejam texto sobre a Índia negra em nosso blogue). Compartilham de um tronco lingüístico comum, o Proto-Bantu. Assim, quando nos referimos aos Bantu, nos remetemos a povos e etnias cujas línguas têm um tronco comum e não a povos com traços raciais próximos. O que liga os Bantu entre si é uma língua oriunda do mesmo tronco e que são gramaticamente aparentadas, pois, em todas elas as palavras são agrupadas por classes em função de seu uso e natureza.

O universo Bantu ocupa grande parte do continente africano, do centro em direção ao sul, sendo uma família lingüística utilizada por milhares de falantes. Foram os Bakongos e os Ambundos os dois povos que vieram em número mais expressivo para o Brasil, e que aqui deixaram sua marca, assim como em toda a América, continente que ajudaram a construir. Eram numericamente superiores e por isso imprimiram suas características culturais a outros povos Bantu (como os Kassanje, Benguela, Moçambiques, Makuas, Kabindas, Munjolos etc) que chegavam em menor número.
Suas línguas eram o Kikongo e o Kimbundo, faladas respectivamente, pelos Bakongos (Bakongo = plural de kongo) e pelos Ambundos. Os Ambundos são o segundo maior grupo étnico de Angola e os Bakongos o terceiro. O primeiro grupo é o dos Ovimbundo e falam o Umbundo. No Brasil, principalmente no candomblé Congo-angola se faz ainda uso dessas línguas que vieram com os africanos. O Kikongo e o Kimbundo são as duas línguas mais usadas nos rituais e no cotidiano das casas de santo de raiz Congo-angola (a possível exceção seria a nação Cabinda no sul do país, mas a língua ritual que utilizam é o Yorubá de origem Ijexá). Atualmente são utilizadas como veículo de comunicação em Angola, nos dois Congos, e em países limítrofes.
Muitos dos africanos deste grupo quando aqui chegaram já vinham cristianizados, pois o contato deles com os portugueses aconteceu ainda no século XV. Alguns eram realmente convertidos, diferentemente de outros que eram católicos apenas por batismo obrigatório – prática usada no interior dos navios negreiros com anuência da igreja - mas muitos por devoção por terem se convertido ou pelo menos tido algum contato com o cristianismo em suas terras de origem, ou ainda em Portugal, onde havia também havia milhares de escravos e onde muitas manifestações culturais brasileiras tiveram origem, tais como as Congadas. Aqui estão as raízes do Omolokô: em Portugal e não no Brasil. Mas este é um outro assunto que por hora não abordaremos.
AS DIVINDADES PARTE 1
As divindades que chegaram ao Brasil são conhecidas como Bakissi (plural) ou Inquisse (singular). Há ainda algumas casas que os definem como Akixi ou Mukixi (mascarados), lembrando que nos cultos Bantu originais há a presença de máscaras rituais (bem diferentes dos cultos Yorubás) e de assentamentos e fundamentos feitos somente em barro ou madeira, já que a cultura religiosa Bantu (e mesmo a Yorubá) desconhecia a louça, que foi introduzida no culto – assim como as roupas de renda, inclusive nos cultos Gêge/Yorubanos – por influência cultural Européia. Enfim, temos o termo Akixi para os Ambundo e Nkisi para os Bakongo.



O Inkissi só recebe esse nome quando se particulariza no transe ou no assentamento, feito em um cesto ou em um boneco, em geral cheio de pregos (símbolo do poder coletivo da comunidade) e com a barriga furada onde são colocadas as ervas e o fundamento secreto de cada divindade. Antes desse processo de individualização, eles são chamados de Hamba, em seu estado não diferenciado.


Vários povos Bantu reconhecem em geral o culto ao Inquisse, aos Nkita e aos Simbi. Estes dois últimos referem-se a divindades terrestres (Nkita) e fluviais e marítimas (Simbi). As qualidades e funções desses espíritos, quase sempre protetores, varia de povo para povo, sendo que entre alguns o Nkita é sempre agressivo, enquanto que para outros a agressividade cabe ao Simbi. Para uns o Simbi é aquático e o Nkita terrestre ou vice-versa. Apenas para os três povos de Cabinda, cultuadores do Nkissi é que estes sempre são benéficos, com exceção do Nkondi e do Nkossi, que são por sua vez, utilizados pelos Bandoki para feitiçaria. Afora estes, todos tem o poder benevolente de curar, trazer prosperidade, colheitas fartas e chuvas benfazejas. Os Nkita, os Simbi e os NKissi fazem parte do cotidiano desses povos e os ajudam a vencer as batalhas do dia-a-dia.
Para os Bauoio (Woio, singular) os Simbi exercem um papel subalterno, pois são como crianças enviadas dos grandes espíritos da terra, os Bakissi ba si. Aí está uma das origens da ligação dos espíritos de crianças (os kafiotos, candengos ou monandengues na Angola que são confundidos com os Erês da nação Ketu, embora os Erês sejam uma categoria de divindades completamente dissociadas de todas as outras, que pouco tem a ver, como muitos pensam, com o orixá Ibeji) com as divindades fluviais e marítimas, como Dandalunda, Kaia, Kissimbi e outras.


O elemento principal da representação do Nkissi é uma pedra, retirada do leito de um rio, por pessoas em transe com o espírito. Essa pedra é, quase sempre, colocada num cesto, acompanhada de pemba, argila vermelha, pó de tacula e outras especiarias, tudo regado a vinho de palma e Menga quando a divindade assim o pedir.


Nas tradições do Palo Congo (Cuba) o Nkita é reconhecido e cultuado e no Haiti há o culto aos Simbi. No Brasil apenas o Nkissi é cultuado, sendo a única referência ao Nkita que conhecemos, são informações nos dada por Tata Tawá - quando o conhecemos no Alayandê Xirê - que é membro da tradicional casa do Bate-Folha de Salvador-Ba. O Simbi aparece em algumas cantigas, mas nem sempre é notado pela maioria dos fiéis e sua única ligação é com Kissimbe, um importante Nkissi das águas doces.
Assim os cultos Bantu podem ser definidos – imprecisamente, dada a grande variação religiosa e ritualística existente nesses inúmeros povos – da seguinte forma:


1) Zambiampungu, Nzamé, Zamby e outras centenas de designações, sempre com os radicais “Zam” (nas línguas antigas representa o Sol. Por ex: Sabeísmo, palavra persa surgida da raiz “ZAAB”, significando Deus, divindade, de onde provém todo saber) representando o Deus supremo;
2) Os Hamba (Ou Nkissi, quando individualizados), que são as grandes forças ctônicas, formadoras do universo;


3) Os espíritos elementais da natureza, como os Simbi e os Nkita, sendo os primeiros espíritos aquáticos e os segundos espíritos terrestres;
4) Os espíritos dos antepassados, tanto os bons (os Bakulu) quanto os maus, (os Matebo ou Nkuyu).


Os Inquisse se dividem em famílias, ou seja, não são agrupados em categorias de uma mesma divindade com várias características como acontece com as divindades Yorubá, ou como fazem os Fon, com seus reis divinizados. Assim, vamos encontrar várias divindades aparentadas, com culto e fundamentos específicos e diferenciados. Começaremos com as divindades dos caminhos e das encruzilhadas, que como verão, são várias. Lembrando novamente que estas são as divindades que conhecemos em nossa caminhada pessoal pelos terreiros que conhecemos e pela vivência com nossa primeira mãe de santo, Maria Helena Batista, que era feita em Angola aliado a nossos estudos sobre a religiosidade dos povos Bantu da África.


Por isso muitos destes Inquisses podem ter nomes derivativos da cultura Yorubá, pois como bem sabemos, o culto Angola/Congo tomou como matriz o formato de cultos yorubano e os adotou em seus ritos próprios, na verdade configurando as matrizes das genuínas manifestações religiosas brasileiras. Em outros discosde outras divindades continuaremos com as famílias de outros Bakisse...


Família das Divindades Das Encruzilhadas - Bakissi Da Ingestão E Restituição


Cor: cinza e o azul escuro (ou ainda o roxo) e em algumas tribos, o branco transparente, simbolizando a água (o vermelho e preto é uma influência dos ritos Nagô, não são cores deste Inquisse nos cultos Angola/Kongo em sua origem. Lembrando que há seguimentos da Umbanda – nossa escola mesmo (!) - que se utilizam destas cores para identificar os espíritos-guardiões)
Pambu Njila, Mpambu Njila, Bambogira, Kongogiro, Ganga Pambuguera, Pangira, Ungira, Ungila
Alguns autores – dentre eles Nei Lopes - registram e dão a sua origem como do Kikongo e do Kimbundo com ligeiras variações em seus nomes (provavelmente fruto da mistura de diversas etnias que pronunciavam de modo diferente um nome comum à mesma divindade), na África, no Brasil e em Cuba, no Haiti e em outros países americanos, como a Colômbia e a costa dos EUA. Na verdade, “Mpambu” tanto em Kimbundo quanto em Kikongo significa cruzamento, encruzilhada (sendo que, em Kikongo, há a tradução de “Mpambu” como portão, ou local fechado), e “Njila” significa rua, caminho.
Por extensão, atribui-se em Angola esse nome aos homens andarilhos, os “homens da rua”. O nome “Pomba-Gira” já possui uma relação mais complexa e profunda com o “Pambu Njila” Bantu, acrescido de outras informações que vão de mitos europeus, persas e até indígenas, que, se der, um dia coloco aqui. Sem nenhuma variação mítica, em todos os povos Bantu, a encruzilhada é o umbigo do mundo, o início dos tempos primordiais onde tudo teve começo, o ponto de onde surgem as quatro retas que constroem a encruzilhada. Nzambi criou o mundo a partir desta cruz e colocou Mpambu Njila como o senhor absoluto desses caminhos, fazendo-o segurar os quatro gomos principais do Ngombo (jogo divinatório Bantu, equivalente em importância ao Opón dos Sudaneses – para que Kukiakalunga (Uma emanação de Nzambi. Kukiakalunga é o “Pensador Angolano”, equivalente ao Orunmilá Yorubá) pudesse vaticinar os destinos do mundo. Mpambu Njila é o guardião por excelência.


Aluvaiá


Aluvaiá em Quicongo fonetiza-se “Alu-Vuya”. Algumas nações, como os Tio e os Shona fonetizam Alu, ou Lalu. É uma divindade do Congo. Nas casas Angola/Congo, normalmente as cantigas referentes à Aluvaiá são entoadas em português. É o Inquisse da herança espiritual, da continuidade dos valores. É a divindade que faz os acordos com o inimigo, se fazendo passar por ele, sendo um senhor da infiltração. É quem fecha os acordos e os favorecimentos no terreno da magia.


Mavambo, Mavangu, Marambo, Marabu, Malagô, Navango, Igo Mavan, Marabô, Jiramavambo


O Senhor do Barro, o Conquistador! Nascido dos sonhos de Nkoce. Quando em suas andanças, Nkoce parava para dormir nascia um montículo de barro onde Nkoce colocava sua cabeça. Pela manhã, nesse monte, a cada dia nascia um Mavambo, para vigiar os caminhos dominados pelo vencedor dos Leões. Em várias regiões da África, os muçulmanos eram chamados de Marabu, em alusão ao fato de terem sido conquistadores em várias partes do continente. Há ainda, o termo Barabô, numa clara fusão do Jeje e do Cabinda nos terreiros do sul do país.
Sinzamuzila
O Inquisse que recebe o poder das bebidas que são colocadas na casa de fundamento e nas tronqueiras. Aquele que é sempre seco e que recebe a “Marafa” na cuia de cabaça no ritual propiciatório das escolas Congo/Angola, quando se envia o Sinzamuzilla para a porta. Do quikongo “Sanzala”, bêbado, trôpego.


Malungo
O Inquisse que acompanha as pessoas durante toda a vida. Aquele que envia seus “fantasmas de proteção” (Zumbikukulu) para acobertar quem entra e sai do terreiro, quem nos protege da morte; Aquele que livra do sofrimento. Entre os Lundakioko, “Ma-lunga” homem, amigo etc. Do Kikongo “Lungo” (Ma-lungo, plural), morte, dificuldade.
Jujuku
Aquele que faz magia de morte. Ainda que a palavra “Jujuku” seja uma palavra provavelmente Yorubá (“Juju” = magia com objetos; + “Iku” = morte) que deve ter sido aprendida pelos descendentes Bakongo, este Inquisse é utilizado para feitiços e para tormentos onde são usadas coisas pessoais daquele que se pretende agredir magisticamente.
Kijanjá, Kujanjo
Inquisse da matança e da Lua. É aquele que recebe as oferendas de todos os outros Inquisse e faz a transmissão do poder das oferendas a todos do terreiro. Por isso as matanças são feitas com os animais em ciclos que obedecem às fases lunares. Do Proto-Bantu “Kijan”, Lua, usado ainda hoje pelos jongueiros do Brasil como “Quijama”.
Mavilutango
O Inquisse da dança e do movimento, dizem as lendas que ele é que dá ao ser humano, através da dança, a capacidade de se relacionar com o mundo, com os vivos e os mortos. Por isso é ele quem se encarrega de levar o “Padê”. A palavra “Tango” vem do quibundo “Tangu”, significando pernada. A dança argentina de mesmo nome provém dessa mesma raiz Bantu, cujas origens foram praticamente esquecidas por lá.
Burungangi
Inquisse dos Bakongos, conhecido como “Mbulu” ou “Mbulunganga”. Há uma expressão em Bakongo que significa “Grande força” (Mbulu-nguzu, embora esta palavra se relacione mais com o Inquisse Burugunzo). É aquele que acompanha Biolê e é assentado nos trilhos e nas ferrovias. Nesse caso, este Jila descreve-se como “Mbulu-Nganga”, “Poder do Ferro”. A palavra “Nganga” aponta para termos Bantu relacionados a “derreter”, tais como o quicongo “Kanga” ou o Quioco “Nganga” (metal fundido), e finalmente ao Bantu genérico “Ngangula” (ferreiro). Associa-se ainda, ao Bantu multilingüistico “Nganga”, significando feiticeiro.
Bionatan
Inquisse patrono da alegria. Recebe doces e flores. Algumas traduções do Quimbundo indicam essa palavra como “risada”, bem ao estilo dos Njila. Mas há ainda, traduções do Quicongo: “Mbyantunda”; “Ntunda” – Monte, colina; “Mbya” – coquinho de palmeira, talvez uma aproximação deste Inquisse com o Exu yorubano nas questões dos métodos divinatórios.
Sigatana, Singangara, Siganga, Gangaiô
“Singa” – nome que se dá à vara do canoeiro. No quicongo “Sinda”, se traduz como ir ao fundo d’água; no umbundo “Sinda” refere-se ao ato de empurrar associado ao multi-Bantu “Nganga” – feiticeiro, traduz-se aproximadamente como o feiticeiro que habita o fundo das águas. De fato esse Njila associa-se a Zumbarandá e Kissimbi nos assentamentos destes outros MiInquisse. É invocado simbolizada pelo egan (gorrinho em forma de cone), e pela pena vermelha do papagaio.
Tibiriri, Tonã
Encontra-se menção a este Inquisse nos rituais Angola, embora seja óbvia a sua relação com o Tiriri dos Yorubá: “Ti” – Grande Força; “Riri” – Valor, traduz-se como “Valoroso”. Igualmente Tonã parece relacionar-se com o Lonã (Caminho) Yorubá. Resta descobrir se houve uma aculturação do Nagô sobre os rituais Congo/Angola, ou se na própria África essa divindade se espalhou por várias regiões. Há ainda a o termo Tupi Tiriri (nome de uma ilha), originado de su-y-ry-ry, que significa "pássaro que faz barulho”. Interessante é que em alguns totens deste Inquisse há um pássaro esculpido e ainda, na Umbanda, Tiriri é o guardião de Yori/Ibeji/Oxum (yabá dona de um pássaro), cujo sinal cabalístico de pemba representa hieraticamente, um pássaro. E, finalmente, encontramos na Cabala hebraica o termo “Tirirel” como o demônio guardião de mercúrio (planeta de Yori). Vai saber...
Ngambe, Ingambeiro, Engambeiro
O termo engambeiro ou engambelo é comumente usado pelo Povo-de-Santo como verbo, na flexão engambelar, o que aproxima este Inquisse da representação de Trickster do Exu yorubano. No Umbundo diz-se “Uyambelo” como o presente que se dá ao curandeiro, o que originou, possivelmente a palavra engambelar - de uso nos terreiros quando se dá uma oferenda de paliativo ao “santo” até que se possa dar outra melhor. O povo Ganguela diz “ndambelo” como aquela porção que se dá a mais do que se promete como “agrado” em troca de um favor. Os Soto dizem “Kabelo” com o sentido de contribuição. Ngambe é o nome de um Inquisse onde em sua barriga colocam-se moedas, notas (na antiga África usava-se búzios, marfim e cobre) e outros objetos de valor.
Etajelungi
Mais um Njila que nos parece uma somatória brasileira do fundamento das qualidades de Exu com o de algum Inquisse Congo. “Etá” em quicongo traduz-se como pênis ou como qualquer objeto que lembre o falo. É acrescido, talvez da palavra yorubana “Ijélu” – “I” – (Aquele que); “jê” (é); “Elú” (Índigo, a planta que produz a tinta chamada “Arô” para fazer o “Wáji”, que representa o preto nas pinturas rituais. Entre os Bakongo a representação do falo de alguns Njila é pintada com a cor azul, assim como dissemos na abertura, sobre os Pambu Njila e a influência ritual Yorubá.
Korobo
O Pambu da folha, espécie de “Aroni” angolano, portador da enxada, foi quem ensinou os homens a plantar. É o guardião da “Kisaba Kiasambuka” do Inquisse Katendê. Em quicongo encontramos a palavra “Kulumba”, como “homem rude do mato”, que vaga pelas estradas e “Kuluba” como “enxada velha”.
Niquerô
Inquisse que recebe as oferendas dos Minquisse caçadores. O guardião da fartura e da distribuição de força vital para o terreiro. Em quicongo, “Ndiiki”, aquele que alimenta.
Dundo Salunga, Dundo Calunga
Inquisse do mistério, Pambu do silêncio, o grande peixe que leva as pessoas para o infinito. Sua representação é a de um peixe de madeira onde se colocam mensagens e objetos para os que se foram. Dundo em quicongo é “Ndundu” e refere-se ao peixe Seese. Calunga vem do termo multilingüístico Bantu “Kalunga” que traduz a idéia de grandeza, eternidade, vastidão. Pode ser tanto identificado com o céu e o espaço infinito como com o mar. Kukiakalunga é o Inquisse pensador dos Angolanos (do verbo “Oku-Lunga” – ser esperto), o patrono do jogo Ngombo. No Brasil o termo se ligou ao cemitério e à morte, pois muitos escravos morriam no mar antes de aqui chegarem, embora a idéia de eternidade ainda assim, tenha relação com o local onde habitam os mortos
Naban, Nabondo
Inquisse guardião das árvores. Representado por um pássaro (!). Conforme o quikongo “Na-mbondo”, uma árvore, o embondeiro. Divide seus poderes com Nkondi – Inquisse da família de Nkoce - esta árvore é cultuada principalmente para o feitiço. O embondeiro tem forma de garrafão, e é chamado de “Nkondo Ikuta Mvumbi” (Embondeiro do morto gordo), por que a pessoa contra quem se faça o feitiço, contra quem se prega o prego, morrerá gordo, inchado como o embondeiro. Conforme o prego usado, o efeito, segundo o povo de Cabinda, será mais ou menos imediato, se for de ferro, de cobre ou de alumínio.
Ingué, Izangué, Yanga
Entre os Tchokwe encontramos a divindade Yanga, fonetizada como Yangue em outras tribos do norte de Angola. A lembrança da relação do nome com o Exu Yangi dos Yorubanos é inevitável. No Brasil e em Angola Ingué e Yanga compactuam do fato de não beberem cachaça nem dendê. Veste-se de branco. Na África, como no Brasil, quando está possuindo alguém, não come nada vermelho.
Malusibango
Encontra-se referências rituais de um Inquisse da fortuna em Angola, chamado “Luo-Mbangu”. E encontramos a palavra “Mbangu” em quicongo significando “benesses” ou “ganho”.
Apavenã
É o senhor das oferendas, o portador e o mensageiro. É sempre o primeiro a ser invocado. É o dono do dendê, por isso o carrega na peneira, segundo dizem...
Imbeberiquiti, Imbeperequeté
Inquisse guardião das portas das casas. Seu nome refere-se a alguém sentado, ou baixinho, provavelmente em alusão a postura que assumem as pessoas que o incorporam na África. Do Umbundo “Velekete”, pessoa de estatura baixa, ou alguém de cócoras/sentado.
Manawelé, Mawe, Mavilê
Maville é um dos nomes associados a todos os Njila. Mavile vem do Umbundo “Omavele” ou do Quicongo “Mavele”, plurais de “Avele” que significa leite, provavelmente alusão ao poder de ligação destas divindades guardiãs com o poder criador do esperma.
Kunkurunguanje
Inquisse da palavra e da invocação, das poesias e dos Jamberessu. O que fala pelas outras divindades. Do quicongo “Nkunga”, canto, poema, palavra, associado ao Umbundo “Ulungundju”, ronco ou urro. Traduz-se como “aquele de voz rouca”, característica bem típica da manifestação destas divindades.
Kamungo, Camunga
Inquisse que se esconde, que mora embaixo da terra. Seus fetiches são enterrados e as oferendas colocadas por cima, o que o relaciona aos mortos e aos ancestrais. Em linguagem cifrada os jongueiros chamam “Kamungo” de tambor, em alusão ao orifício do instrumento, onde algo pode se esconder. Há o Nhungue “Kabungu”, o Iaca “Nungo”, o Umbundo “Ochimunga” e Quibundo “Kibunga”, todos significando objetos como chapéus, panelas, baldes, etc, utensílios que identificam algo que cobre. Há ainda a concepção totêmica do rato, animal relacionado, na África aos Njila, assim como o marimbondo e outros, pequenos animais com grande poder de penetração nos lugares. A linguagem cifrada dos velhos feiticeiros velou o significado sagrado deste Inquisse, assim, no Umbundo encontramos a forma diminutiva “Oka-mpuku”, ou “Okamundongo”, rato, camundongo, e ainda, “Mundongo”, como escravo, identificando a função exterior de divindades guardiãs africanas como Exu, Bara e Pambu-Njila.
Jembelu
Classe de Njilas que recebe a menga do sacrifício: são os Yembêle. Do quicongo “Mbe”, som onomatopaico de pancada, associado à raiz “Ele”, líquido, leite, ou algo que escorre, no caso, a menga.
Embarujo
O Inquisse guardião da cura, é quem acompanha Kavungu. Do Umbundo “Uemba”, significando feitiço, veneno e remédio.
Kariapemba
Talvez por influência católica já em terras africanas, ou talvez mesmo em Portugal, essa divindade – assim como outras, tais como Nkoce, conforme veremos – é tida como extremamente maléfica entre os angolanos, havendo a necessidade de benzer-se o ambiente onde se acredite que ele esteja. Seu nome, em Quicongo “Nkadi-a-pemba” e em Quibundo “Kádia-Pemba” não assimila outra tradução que não “demônio”.


Manakó, Manacuco, Mancuco, Mancuce
Invocado no pade, é quem providencia a comida e a bebida de todos. Benéfico, não gosta de bebida alcoólica, gosta de branco. É quem dá a fortuna. Há a relação oculta da fortuna e da bem aventurança com o fato de seu nome bantu ser, no Quicongo, “Nkusi”, no plural “Bakusi”, traduzindo “o pescador”. Há ainda “Munkusi” – “Vento que vem do estômago (flatulência)”, traduzindo o estado de saciedade quando se está farto de comida.
Toroni Batola, Bute
Do Ronga “Mbuti”, bode, animal geralmente usado em sacrifício a estes Njila.
Quitungueiro
Inquisse ou espírito da morte, que se apresenta de todas as formas possíveis, pois não é possível desvencilhar-se dela. Do Quicongo “Kintungu”, tudo que aparece por inteiro, que se desenvolve e que se mostra de várias formas. Associa-se o conceito ao Quibundo “Kitungu”, casebre, mausoléu, ou seja, o lugar onde habitam os que se transformaram: cemitério.


Caracoci
Do Quicongo “Ekala” homem (quando se refere a alguém que não se conhece), associado ao Quibundo “Kutxi, Kuxi”, orelha, de onde vem o português “cochichar”. “Homem que murmura, fala baixo”. Muitas das manifestações mediúnicas e possessões africanas e no Brasil, estes espíritos se comunicam dessa forma.


Fonte: http://acervoayom.blogspot.com.br/search/label/Bantu%20-%20Angola%20Congo%20Cabinda%20etc

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

LENDA NKICE PAMBU NJILA


"Quando Pambunjila fumava seu cachimbo e tocava sua flauta, ele restituia tudo que a ele era oferecido e por ele ingerido"
"Se você não compartilha seus alimentos com Pambunjila , ou não lhe faz oferendas, poderá pedir esmolas na porta do mercado"

Nkisi Nkosi

Conta-se que os moradores de um vilarejo já não suportavam mais ter que pagar para entrar e sair , pois no portão Pambunjila havia colocado um cão feroz que atendia suas ordens e recebia dos moradores o pagamento pela entrada e saida do lugar.

Procuraram então o guerreiro Jambá(um título de Nkosi) que conhecido por sua bravura em batalhas aceitou o desafio de passar pelo portão sem pagar pedágio.

Colocou uma espada escondida em suas roupas e levou tambem um bastão mágico que utilizava em suas viagens para apontar o caminho certo.

Chegando no portão o cão lhe disse : Pague e poderá passar ou volte pelo mesmo caminho, Jambá não acatando a ordem continuou em direção do guarda do portão que avançou sobre ele, mas Jambá o decaptou com um golpe de espada.

Ao saber do acontecido Pambunjila se fez presente e aproveitando a distração de Jambá roubou o bastão e se lançou sobre ele a golpes de porrete e junto com Pambunjila estavam um exercito de cães ferozes, Jambá então fugiu para a floresta e atrás dele foram Pambunjila e os cães deixando livre o portão do vilarejo.....

Jambá então lutou na floresta com muitos cães e decaptou todos, conseguindo despistar o inimigo... Mas com suas roupas rasgadas pelos espinhos e pela batalha, cobriu-se com folhas de palmeira retornando para casa.

E até hoje em dias de festa Jambá se enfeita com folhas de palmeira para relembrar sua batalha contra Pambunjila e seu exercito de cães, e os moradores dos vilarejos mantem o ritual de decaptar um cão em homenagem ao Nkisi Jambá(titulo de Nkosi), aquele que livrou o vilarejo dos guardas de Pambunjila.....

Mas na batalha Pambunjila ficou conhecido também como aquele que fez fugir para a floresta o inimigo a golpes de porrete....

COLETANEA TATA GONGOFILA

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

LENDA NKICE NKOCE


Nkice Nkoce

Conta-se que os moradores de um vilarejo já não suportavam mais ter que pagar para entrar e sair, pois no portão pambunjila havia colocado um cão feroz que atendia suas ordens e recebia dos moradores o pagamento pela entrada e saída do lugar. Procuraram então o guerreiro jambá que conhecido por sua bravura em batalhas aceitou o desafio de passar pelo portão sem pagar pedágio. Colocou uma espada escondida em suas roupas e levou também um bastão mágico que utilizava em suas viagens para apontar o caminho certo. Chegando no portão o cão lhe disse: pague e poderá passar ou volte pelo mesmo caminho. Jambá não acatando a ordem continuou em direção do guarda do portão que avançou sobre ele, mas jambá o decapitou com um golpe de espada. Ao saber do acontecido pambunjila se fez presente e aproveitando a distração de jambá roubou o bastão e se lançou sobre ele a golpes de porrete e junto com pambunjila estavam um exercito de cães ferozes. Jambá então fugiu para a floresta e atrás dele foram pambunjila e os cães deixando livre o portão do vilarejo...
Jambá então lutou na floresta com muitos cães e decapitou quase todos, conseguindo despistar o inimigo...
Mas com suas roupas rasgadas pelos espinhos e pela batalha, cobriu-se com folhas de palmeira retornando para casa. E até hoje em dias de festa jambá se enfeita com folhas de palmeira para relembrar sua batalha contra pambunjila e seu exercito de cães, e os moradores dos vilarejos mantêm o ritual de decapitar um cão em homenagem ao nkisi jambá, aquele que livrou o vilarejo dos guardas de pambunjila...
Mas na batalha pambunjila ficou conhecido também como aquele que fez fugir para a floresta o inimigo a golpes de porrete...
“Pambu Kaloré”
“Pambu Tibiriri”

COLETÂNEA TATA GONGOFILA

quinta-feira, 26 de março de 2009

LENDA NKICE LEMBA


LEMBARENGANGA


Depois da visita feita a nzazi onde foi confundido como ladrão e aprisionado, lembarenganga retornou a seu reino aos cuidados de lwango, assim que chegaram lwango tratou de providenciar um banho e roupas limpas para lembarenganga, que não demorou a adormecer.

Lwango vendo o sofrimento de lembarenganga com ferimentos causados pelos soldados de nzazi, resolveu destinar preces a nzambi umpungu (deus poderoso) para aliviar as dores. Lwango foi atendido e o espírito de nzambi veio através de “pemba” (espírito santo) que tocou lembarenganga enquanto dormia e assim que acordou lembarenganga teve uma surpresa não mais sentia dores e com o corpo marcado por um pó branco "pemba", perguntou a lwango o que tinha acontecido, e deste momento em diante lwango foi tratado como um rei ao lado de lembarenganga, só podendo vestir-se de branco.

Lembarenganga reconheceu a amizade de lwango e o carinho com que lhe tratara e ordenou que em todos os cultos a lembarenganga seus filhos deveriam fazer marcas no corpo com "pemba” para relembrar a cura e os poderes do “paraiso lwango".

Enquanto Lemba dia nganga representa a origem comum de todo ser humano, ou seja, evidência que todos são iguais, que todos são irmãos; Ganga Lemba impõe o desafio, introduzindo a diferença na humanidade. Lemba é a contradição básica de todo ser: igual na essência, mas diferente na aparência. Superar essa guerra e viver em comunhão é o grande desafio colocado por Lemba. Essa contradição básica torna-se patente quando se observa os instrumentos que o Nkisi carrega em suas mãos: de um lado, a espada; do outro, a mão de pilão; a guerra e a comunhão, a guerra pela comunhão. Ele detém todas as armas e as usa para alcançar seu objetivo maior, dar de comer a quem tem fome e se for o caso, erguendo a espada, ou seja, partindo para a guerra; a guerra pela paz e harmonia.

COLETANEA TATA GONGOFILA