sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A COMIDA DOS NKICES

A grande tradição das práticas Angola-Congo está situada especialmente, no candomblé bate-folha, Salvador, na roça onde as árvores sagradas de Zacaí e Upamzu recebem seus sacrifícios e alimentos, além de outras importantes práticas exclusivas dos preceitos desta nação em que se falam línguas Bantu.

Os pejis internos dedicados aos cultos dos Nkices recebem os preceitos do ritual Angola Congos e tem na culinária votiva momentos de destaque para a manutenção dos valores sagrados e sobrevivência de tradições especiais e voltadas à África.

A marcante influência iorubana não deixou de transpirar mesmo nas comunidades tradicionais que seguem outras práticas, como a Moxicongo e Jeje.

A importância de alimentar os Nkice e a fartura das comidas do cardápio ritual à assistência caracteriza as festas públicas do terreiro Bate-Folha, em sua sede, sem Salvador e no Rio de Janeiro.

O calendário é marcado por festas importantes como a kukuana, que é dedicada a Kanjanjá, sendo uma cerimônia similar a Olubajé das casas de Ketu.

Na Kukuana os alimentos de Kanjanjá também são servidos em folhas de mamona, que funcionam como recipientes para as variadas comidas que preparadas dentro do fundamento, irão agradar aos Nkices e à assistência, que participa do grande banquete sagrado. O cortejo com as muitas comidas retiradas do santuário chega ao local público onde culmina a Kukuana.

O feijão de Omolu, amendoim torrado, aberém, milho ralado com azeite-de-dendê, deburu e as outras comidas chegam ao barracão em cortejo solene e, geralmente. ao ar livre, é servido o banquete. Banhos de deburu acontecem, atuando como purificação mágica e limpeza ritual.

As festas das iabás, englobando todas as divindades caracterizadas como femininas, tem cerimônias comuns, incluindo-se sacrifícios, alimentação e danças rituais.

Mavambo pode receber todos os alimentos, tendo preferência pela farofa-de-dendê e pelo feijão torrado e moído. Colocam-se essas comidas em um utensílio, dividindo a metade com farofa de dendê e a outra metade com feijão preto torrado e moído. As carnes dos sacrifícios são oferecidas assadas, cozidas ou cruas, e Mavambo recebe outras farofas além da de aguardente

Mukumbe tem na raiz de inhame acará assado o prato de sua predileção. A raiz é cortada, colocando-se azeite-de-dendê, enfeitando-se com ponteiras de dendezeiro. Acarajé, feijão preto torrado farofa vermelha e milho vermelho cozido constituem os alimentos do Nkice da guerra e dos metais

Kabila come milho ralado com garapa; Kissimbi, omolocum; Bamburucena, o acarajé e o abará, além do acaçá vermelho servido a todas as iabás. Micaia come o ebô feito com milho de canjica e azeito doce, salsa e um pingo de azeite de dendê, além dos demais alimentos a base de milho e camarões com dendê.

A festa de Wungi – divindade situada ao mesmo nível dos Ibejis para os terreiros ketu – tem a cerimônia do caruru, onde são servidos todos os pratos comuns: acaçá, bolo de arroz, abará acarajé, deburu, vatapá, além de carnes das matanças preparadas no azeite-de-dendê com os condimentos característicos.

Kitempo – divindade marcante dos rituais Angola-Congo – é homenageado, recebendo os sacrifícios de galo, cabrito e deburu, além das bebidas. No assentamento externo do Kitempo, junto à arvore sagrada, onde acontecem as cerimônias.

Katendê se alimenta de feijão-fradinho torrado, além dos animais da matança, preparados com azeite-de-dendê. É um Nkice ligado às folhas litúrgicas e medicinais. Recebendo suas comidas em seu assentamento, quer geralmente é externo ao peji.

Lembá tem seus pratos preparados com ori e cebolas, não recebendo sal ou qualquer tempero de cor, e o dendê é tabu para os pratos desse Nkice. Acaçá branco, ebô, ibi, cabra, galinha branca e galinha d’angola, pata branca complementam o cardápio votivo que culmina no ciclo das águas.

Nas práticas do Bate-Folha, os preceitos Angola-Congo são guardados com rigor, seriedade e respeito aos Nkices e ancestrais.

Texto retirado do Livro SANTO TAMBÉM COME de Raul Lody

COLETÂNEA TATA GONGOFILA.

7 comentários:

Marcio da Oxum disse...

Esse quindim está maravilhoso, também, foi especialmente feito pela Makota Sambacutalamin, para agradar o Nkice Ndandalunda. Da vontade de comer!

Daniel do Oxossi disse...

Eu não estava nessa época, ai que vontade de voltar atras no tempo. Agora ja pude participar de outras obrigações na casa de meu Tata Gongfila onde vi coisas tão boas quanto essa.

Anônimo disse...

Sou o professor de informatica e eu gostaria de saber algumas coisas, no Angola se pode dar comida quente pra Exu? E se for de idade? Posso carregar na pimenta? E posso oferecer feijão? To pensando em fazer alguma coisa pra colocar na rua pra agrada-lo

Tata Gonfofila disse...

Depende o que vc considera quente, pois pode ser quente a comida, como quente de pimenta e dendê, pois exu come de tudo, pois quanto ao feijão veja como está escrito neste tópico acima, se vc tem exu assentado pode carregar na pimentas vermelhas,amassada com dendê, amigo o que vc refere a idade? qualquer duvidas ligue para o telefone que está no site ok.
um abraço
Tata Gongofila.

Roni disse...

Me refiro as pessoas mais tarimbadas dentro da religião. ou seja, com mais tempo de Santo.

Tata Gonfofila disse...

Amigo vc eh feito no santo? diga suas necessidades que nós te orientamos melhor com toda certeza, pois tem coisas que eh bom ver nos olhos.
Vc eh de qual cidade?
Quanto aos mais velhos nada muda depende de cada casa, pois cada um aprende de seu jeito.
Quanto a colocar alguma coisa na encruzilhada nos do candomblé não temos este habido, a não ser quando se faz necessário, e vericarmos antes no jogo de buzio.
Espero ter ajudado caso contrário estaremos aki para tirar qualque duvidas ok.
Tata Gongofila e Sambakulamim

Anônimo disse...

oh

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