Esta reza é para ser rezada antes do nascer do sol. Deus é o pensamento, Deus é a tranquilidade, Deus é o esplendor para aqueles que se acham aflitos. Oh! Meu Deus, assim como nosso senhor Jesus Cristo sofreu anguústia e derramou seu sangue na cruz do calvário, também assim abre os meus caminhos, que sou filho de seu sacrifício. Assim como Nosso Senhor Jesus Cristo deu a vista a São Longuinho, também eu peço misericórdia ao Pai, que tudo pode, que me livre dos meus inimigos e dos maus pensamentos que me atrofiam. Faça com que eu seja visto com bons olhos. Amém.
Retirada do Livro A Reza Nossa de Cada Dia Editora Ediouro COLETÂNEA TATA GONGOFILA E MAKOTA (ORAÇÕES)
Protetor contra a peste, o contágio e a poluição - (16 de agosto) São Roque, que vos dedicastes com todo o amor aos doentes contagiados pela peste, embora também a tenhais contraído, daí-nos paciência no sofrimento e na dor. São Roque, protegei não só a mim, mas também aos meus irmãos e irmãs, livrando-nos das doenças infecciosas. Por isso, hoje, rezo especialmente por uma pessoa muito querida (dizer o nome da pessoa), para que fique livre do seu mal. Enquanto eu estiver em condições de me dedicar aos meus irmãos, proponho-me ajuda-los em suas reais necessidades, aliviando um pouco o seu sofrimento. São Roque, abençoai os médicos, fortalecei os enfermeiros e atendentes dos hospitais e defendei a todos da doenças e do perigos. Amém. COLETÂNEA TATA GONGOFILA (ORAÇÕES) No sincretismo representa um dos caminhos de Obaluaiê.
Entre os africanos, o sobrenatural tem uma grande importância. Todas as decisões da vida são tomadas depois que os ancestrais são consultados através de rituais. Quando eles foram trazidos à força ao Brasil, trouxeram esta tradição. Alguns grupos mantiveram-se mais fechados e preservaram com maior rigor os aspectos culturais africanos. Outros reconstruíram sua cultura com a influência de elementos indígenas e portugueses.
Os primeiros estudiosos sobre as religiões afro-brasileiras, influenciados pelo pensamento evolucionista do século XIX, hierarquizavam as religiões, tomando o Cristianismo como modelo "superior" de religião e as que usavam o transe, sacrifício animal e culto aos espíritos, chamavam-nas de "atrasadas" ou "primitivas". Longe de querer cometer este equívoco, nosso objetivo neste texto é de buscar semelhanças entre as manifestações religiosas de matriz africana, sem ter a pretensão de esgotar o assunto e muito menos de querer atribuir uma certa "superioridade" a qualquer uma das religiões por considerarmos a importância que cada uma tem no mosaico da diversidade humana.
Origens: O Brasil recebeu negros ao longo dos séculos de vários lugares da África. Existe uma diversidade cultural muito grande, mas costuma-se elencar dois principais grupos que abarcam uma variedade de etnias por conta das semelhanças lingüísticas e hábitos culturais: os sudaneses e bantos.
Entre os povos sudaneses estão os Iorubás (ou Nagôs) e os Jeje (ou fon), oriundos principalmente da Nigéria e Benin (ex-Daomé). Entre os bantos encontramos os angolanos. Calcula-se que dos bantos tenha vindo um maior número de escravos, exercendo uma grande influência na cultura brasileira. Destacamos estes três povos por serem os principais na formação da cultura religiosa de matriz africana no Brasil, apesar de existir a presença de outros importantes grupos africanos na formação de nossa cultura, como os hauaçás, povo islamizado do Sudão central que os portugueses chamavam de malês.
Oralidade: As religiões afro não se baseiam em livros sagrados como a Bíblia ou a Torá ou o Alcorão. A transmissão do conhecimento religioso africano baseia-se na oralidade. Todos os ensinamentos secretos são passados aos iniciados oral e gradualmente ao longo do tempo. A cosmovisão, a mitologia, as tradições, os rituais litúrgicos, a linguagem são ensinados conforme a participação do iniciado nos cultos. A memória individual e coletiva é preservada até hoje.
Orixás, voduns ou inquices:Os orixás e voduns são entidades ancestrais e heróis divinizados fundadores de linhagens, reinos e cidades-estado, sendo não só a origem da organização social e política, como aqueles que orientam toda ação dos homens em sua vida terrena, à semelhança do que ocorre entre os povos bantos.[1] A manifestação de entidades e/ou espíritos de antepassados é outro ponto comum nas religiões de matriz africana. Através da dança e do ritmo dos tambores, o iniciado entra em transe e as entidades do além se manifestam. Os povos de origem Iorubá deram a estas entidades o nome de Orixás, que no Jeje correspondem aos voduns e nos terreiros de tradição angola são conhecidos como inquices. Estes deuses africanos personificam as forças da natureza. Das centenas de divindades existentes na África, apenas um número bem reduzido é cultuado no Brasil. Alguns orixás são bastantes conhecidos na sociedade brasileira por serem citados na música popular, na literatura ou por fazerem parte de rituais que se naturalizaram socialmente, como o de oferecer presentes no Ano Novo para Iemanjá.
Sincretismo: os ritos de matriz africana foram bastante perseguidos no Brasil. Primeiramente pela Santa Inquisição, uma organização da Igreja Católica que perseguia os que contestavam suas práticas, e logo depois pelo próprio Estado, que proibiu o culto aos orixás até meados do século XX. Para despistar as perseguições, os africanos e afro-brasileiros associavam um orixá a um santo católico. Então, quando homenageavam determinado santo com suas danças e cantos, estavam fazendo na verdade para o orixá ali representado. O abismo existente entre as classes sociais e entre brancos e negros no Brasil não impediu que as tradições culturais interagissem uma com as outras. Surgiram novas formas que mantiveram as estruturas semelhantes do Cristianismo e das religiões indígenas e africanas. Hoje, apesar das leis brasileiras garantirem o direito de liberdade de culto não sendo necessário mais o sincretismo religioso, a Umbanda ainda mantém esta tradição, pois suas práticas ritualísticas se baseiam na mistura do Cristianismo com elementos da cultura indígena e africana. No sincretismo religioso existe a idéia equivocada de que o orixá Exu é o diabo. Na mitologia iorubá, Exu não é oponente do criador do universo, assim como o diabo é oponente de Deus na concepção cristã. Exu é o co-criador, o elemento dinâmico e transformador da criação.
Muitas são as manifestações religiosas no Brasil que tem origem na matriz africana: Candomblé, Umbanda, Tambor-de-mina, Tambor-da-mata ou Terecô, Xangô de Recife, Batuque entre outros. Procurei sintetizar os elementos comuns entre estas religiões. Para conhecer a filosofia e a cosmovisão é necessário um aprofundamento em seus ritos e em sua mitologia e isto acontece através da experiência e participação nos rituais.
[1] SOUZA, Marina de Mello e. África e Africano / Marina de Mello e Souza. – 2ª ed. – São Paulo: Ática, 2007.
Para o povo Bantu a alma faz dupla com o corpo. E um ser com inteligencia (kilunji) que encarna no corpo (ku mukutu). O corpo nasce, morre e apodrece, enquanto a inteligencia deixa o corpo no momento de expirar. Enquanto jungida ao corpo, o halito e quente (muikua)e ela e o proprio halito. O muikua ao deixar o corpo, vai direto para o criador que esta na SANZALA KASEMBE DIA NZAMBI (Aldeia ou Reino Encantado de Deus). Tratando-se de muikua de crianca, este sera devolvido por NZAMBI, porque para os Bantu, somente reencarnam espiritos infantis e em pessoas da familia. As criancas quando morrem sao enterradas com a face voltada para o Oriente, para que o sol, que todos os dias nasce, traga seu espirito o mais rapido possivel, o que nao acontece com os adultos, porque sao enterrados com a face para o poente (reino dos mortos), para que cheguem mais rapido a SANZALA KASEMBE DIA NZAMBI, onde sao recebidos pelo criador. So ficam na Sanzala Kasembe Dia Nzambi os que tem bom coracao (muxima puena), seja qual for a sua condicao. Nao entram na Sanzala Kasembe Dia Nzambi os que tem mau coracao (muxima uaiba). Ex.: suicidas, assassinos, etc. Eles serao devolvidos e transformados em espiritos malignos. Alguns serao condenados, uma vez nascidos, a reencarnar em qualquer animal irracional. Alguns nao se conformam e ingressam na sociedade (DIANDA) de UAFU ZA-KUIZA. Nesta sociedade os Uafu za-kuiza ou UFUNJE fazem um pacto com MULUNJI MUJIMU (ventre ruim) de provocarem a morte das criancas em que encarnarem, ou seja, provocando seus proprios abortos, transformando o ventre dessas mulheres em ventre ruim. Esses espiritos escondem-se em buracos nos troncos das arvores ( tocas - MPAKU), e quando uma mulher em fase de menstruacao passa eles se infiltram no utero, e no momento da fecundacao alojam-se no embriao. Depois de muitos abortos o casal procura o 'NGANGA A NGOMBO' (adivinhador), que descobre a presenca de Uafu za-kuiza e encaminha a mulher para o KIMBANDA (feiticeiro), especialista no MUSAXi, culto especifico a Uafu za-kuiza. Para garantir o nascimento o KIMBANDA MUSAXI e o NGANGA NGOMBO conseguem a concordancia do espirito em nascer e continuar vivendo, e atraves de rituais descobre o dia certo em que ele iria morrer, dando-lhe um nome sugestivo e de permanencia na Terra. Um nome que seja a negacao da morte, que e a principal quebra desta KIJILA (abstencao), criando um novo pacto, e cortando a ligacao com MULUNJI MUJIMU. O pacto criado e para dar forca ao espirito. Quando encarnado ele nascera como qualquer crianca e vivera o periodo normal. Perto dos pes da cama onde a mulher dorme sera assentado um NKISI TUHEMBA (Nkisi Ancestral), de aproximadamente 20cm. Esta divindade (HAMBA) pertencera e sera herdada pela familia, principalmente pela pessoa que nasceu Uafu Za-Kuiza. Durante todo o tempo da gravidez a mulher tera amarrado ao corpo um NGOMBO e outras pecas, e tambem um pequeno sino de nome KAGUNGA, no lado esquerdo. Tomara muitos banhos na barriga e no corpo, pemba e MUKUNDU (pos sagrados).Ao nascer coloca-se sinos amarrados com pele nos tornozelos, e e feita uma infusao no seu corpo, introduzindo MAFU (po sagrado) e colocando este mesmo po dentro do KAPURI, que sera colocado no pescoco da crianca e usado ate a idade em que possa entender as pessoas, ate nascer outro irmao.Este espirito que no passado nao chegou a NZAMBI, tera nova chance de ser eleito, de merecer, ou entao estara perdido, voltara a encarnar em animais ou sera devorado por MUJIMU, que certamente cobrara o pacto nao cumprido.Para isso se faz 4 encantos, que sao o EBULIN,IMBUIN,ISSASSERIN,APAN.